Museu projectado por Oscar Niemeyer nos Açores arranca no próximo ano

Autarca de Ponta Delgada discute projecto para a semana no Brasil. São Miguel ficará com dois centros de artes, um do governo regional, na Ribeira Grande, e outro municipal

A Câmara de Ponta Delgada tenciona lançar, no final do primeiro semestre de 2011, o concurso para a construção do Museu de Arte Contemporânea. O projecto do edifício está a ser desenvolvido pelo gabinete do arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer, com quem a presidente da autarquia de Ponta Delgada, Berta Cabral, se reúne na próxima semana.

Berta Cabral revelou ontem ao PÚBLICO que o arranque da obra deverá ocorrer no final do segundo semestre do próximo ano e que a conclusão está prevista para um ano depois, ou seja, por altura das eleições regionais de 2012, às quais a autarca se assume como candidata do PSD.

Para analisar o projecto, Berta Cabral vai encontrar-se com Oscar Niemeyer, no Rio de Janeiro, aonde se desloca para receber o prémio Mulher do Ano 2009, atribuído pelo Conselho Nacional das Mulheres do Brasil. O futuro museu será construído junto à Avenida do Mar, na zona nascente da cidade, antes da marina.

"Foi entregue um programa e o arquitecto estabeleceu aquilo que lhe parece ser adequado para um Museu de Arte Contemporânea na cidade de Ponta Delgada", afirmou a autarca.

É o primeiro projecto concebido para os Açores pelo criador da cidade de Brasília, construída há 50 anos. Para a Madeira, o mesmo arquitecto projectou um conjunto arquitectónico, inaugurado em 1976, composto por um hotel de cinco estrelas, um centro de congressos e um casino, este com traçado conotado com a catedral daquela cidade brasileira.

Orçado em cerca de três milhões de euros, a serem financiados pela autarquia e fundos comunitários, o museu projectado por Oscar Niemeyer para Ponta Delgada desenvolve-se em duas unidades de forma circular, unidas por uma passagem pedonal. Na unidade mais pequena, o andar térreo será ocupado com um auditório, enquanto o primeiro piso será integralmente dedicado a ateliers de arte.

A unidade maior terá um mezzanine que ocupará metade do espaço superior, permitindo uma visão ampla do piso térreo, onde se encontra o principal espaço de exposições. O estudo prévio prevê ainda um anfiteatro e a possibilidade de a passagem entre as duas unidades ser também utilizada para exposições.

Berta Cabral considera que a nova infra-estrutura vai funcionar como "um pólo de dinamização da cultura na cidade", que presentemente é servida apenas por dois museus: o Museu Carlos Machado e o Museu Militar. "Uma cidade do século XXI merece um espaço próprio para os trabalhos dos artistas locais contemporâneos, dos quais já se possui um significativo espólio", frisa a presidente da autarquia.

A propósito da polémica levantada pelo investimento na construção de dois novos centros de arte contemporânea numa mesma ilha, a autarca sublinha que não há qualquer conflitualidade ou concorrência, pois "são duas iniciativas complementares". Tal como diz não ter havido com a recuperação do Teatro Micaelense e o novo Coliseu, que, sendo dedicados às artes do palco - um do governo e outro do município -, "ambos contribuem para o enriquecimento cultural da cidade".

Também Jorge Paulo Bruno, sucessor de Gabriela Canavilhas na Direcção Regional da Cultura, reconhece que os dois equipamentos se diferenciam nos seus objectivos e âmbito de actividades. O outro espaço é o Centro de Arte Contemporânea dos Açores, a construir na Ribeira Grande, dedicado à dança e audiovisuais, numa dinâmica que ultrapassa o conceito tradicional de museu, aberto a artistas açorianos e de outras regiões, tendo por ponto comum a criação periférica.

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