Bilhetes de comboio de Beja comprados na Estação Oriente

Apanhar o comboio é cada vez mais difícil no Alentejo FÁbio Teixeira

Muitas vezes as bilheteiras da estação de Beja estão encerradas e os passageiros têm de comprar o bilhete na estação de destino

As pessoas que se deslocam de Beja para Lisboa utilizando o comboio (Regional e Intercidades) encontram muitas vezes a bilheteira fechada e ficam obrigados a adquirir o título de transporte no interior da composição. Mas quem só dispõe de cartão Multibanco não o pode utilizar no comboio e é forçado a pagar a viagem, já depois de concluída, na Estação Oriente. A denúncia foi feita pelo presidente da Câmara de Beja, Jorge Pulido Valente, na última reunião do executivo municipal, realizada na quarta-feira.

O autarca criticou a CP por não ter um horário "compatível" com as necessidades das pessoas que chegam à estação de Beja para apanhar o comboio e encontram "muitas vezes" as bilheteiras encerradas. O horário de abertura, afirmou, varia ao longo do dia e da semana e está desfasado do horário dos comboios.

Quando a cidade ficou sem acesso directo ao Intercidades, em Maio de 2010, a CP acedeu, após muitos protestos, a pôr à disposição dos utentes um comboio regional que os transporta até à Estação de Casa Branca, onde fazem o transbordo para o Intercidades vindo de Évora. Acontece que os passageiros vindos de Beja que não conseguem adquirir previamente o bilhete "correm o risco de não o poder comprar" para o Intercidades em Casa Branca, se a composição já vier lotada de Évora, denunciou Miguel Góis, vereador da Câmara de Beja.

Pulido Valente considera "inaceitável" a forma como os passageiros estão a ser tratados pela CP e sugere alternativas como a instalação de máquinas de venda de bilhetes automáticas, a venda de bilhetes dentro dos comboios, ou o funcionamento da bilheteira em horário compatível. O autarca sugere uma suspeita sobre a forma como a CP está actuar, ao admitir que esta procure com o encerramento das bilheteiras de Beja "diminuir estatisticamente" o número de bilhetes vendidos para "justificar algumas medidas de restrição de serviços". A Câmara de Beja vai exigir à CP que reabra as bilheteiras em horário compatível e desta forma solucione este problema, que classifica como "inaceitável".

Ao PÚBLICO um cliente habitual da CP, Pedro Galvão Zambujo, disse que utilizava o comboio nas suas viagens para visitar a família em Almada, mas acabou por desistir devido à questão dos bilhetes. Também Cristina Pereira Santos contou como em Novembro passado chegou a Casa Branca para tirar o bilhete que não conseguiu em Beja "porque a bilheteira estava encerrada" e recebeu a informação de que "já não havia lugar no Intercidades" que vinha de Évora para Lisboa. Para chegar ao seu destino final teve que se deslocar de táxi para Évora, onde apanhou um autocarro Expresso.

O PÚBLICO dirigiu várias perguntas ao serviço de Relações Públicas da transportadora ferroviária nacional, acerca desta situação, mas não conseguiu obter qualquer espécie de esclarecimento.

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