Greve às avaliações terá impactos graves, alertam pais e directores

No primeiro dia de greve às avaliações, ficou por realizar a maior parte das reuniões.

Representantes das associações de dirigentes escolares e das associações de pais alertaram, na sexta-feira, para a gravidade das consequências à greve às avaliações, que, segundo as federações sindicais, se iniciou ontem com uma adesão próxima dos 100%. A maior parte das reuniões de avaliação está marcada para as próximas terça e quarta-feiras.

"A greve no dia do arranque dos exames nacionais, a 17 de Junho, é preocupante, mas esta não o é menos - neste momento, já é muito provável que venha a afectar seriamente a preparação do próximo ano lectivo", disse o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção, reagindo ao eventual prolongamento da greve por mais quatro dias, entre 18 e 21 de Junho.

Os pré-avisos de greve para os dias 18, 19, 20 e 21 de Junho, subscritos por oito organizações sindicais, entre as quais a Federação Nacional de Professores (Fenprof), foram entregues ontem no Ministério da Educação e Ciência (MEC), na sequência do fracasso das negociações sobre aplicação da mobilidade especial aos professores. Mas a primeira série de greves, neste caso convocada também pela Federação Nacional de Educação (FNE), já se iniciou ontem e prolongar-se-á até dia 14, "com efeitos que ainda não terão sido suficientemente apreendidos por todos", diz Jorge Ascensão. "As greves às reuniões de avaliação obrigarão a adiamentos sucessivos e a eventuais sobreposições com vigilâncias de exames, o que pode causar o caos nas escolas", reforça Pedro Araújo, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares.

O MEC já confirmou que os alunos poderão ir a exame sem conhecerem a nota interna, conforme se encontra aliás estipulado no regulamento dos exames que coloca esta situação entre as "condições excepcionais". Mas, tal como Adelino Calado, dirigente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (Andaep), o presidente da Confap diz que o problema não se resolve com essa medida. "No limite, os alunos do 12.º ano podem não conhecer a nota interna no prazo estipulado para o início da 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, que decorre entre 17 de Julho e 9 de Agosto", temem.

Ontem, numa entrevista à Antena 1 e ao Diário Económico, o ministro Nuno Crato avançou um prazo-limite, sem esclarecer, contudo, como o aplicará: as notas internas terão de ser conhecidas quando forem afixados os resultados dos exames, disse. O que acontecerá entre 17 e 20 de Julho. "É uma greve muito fácil de fazer, porque basta que falte um único professor de uma turma para que a reunião não se faça", nota o dirigente da Andaep. "Estamos a falar de tempo que se esgota a cada adiamento das reuniões, numa altura em que já devia estar a ser preparado o próximo ano lectivo - pelas escolas e pelas famílias, que, sem as classificações finais, não podem, por exemplo, inscrever os alunos", frisa Jorge Ascenção.

Os professores estão a organizar escalas nas suas escolas, de modo a que haja sempre um docente que falte à reunião do conselho de turma de que faz parte, o que obriga, por lei, ao seu adiamento e remarcação para as 48 horas seguintes. Ontem, na entrevista já citada, Crato disse estar "muito triste por a intransigência sindical estar neste momento a prejudicar potencialmente os alunos".

Dando mais um sinal de que a greve dos docentes está a inquietar o Governo, Passos Coelho fez o seguinte apelo aos professores: "Há uma greve geral que foi marcada para o final do mês. As razões que possam assistir aos sindicatos podem perfeitamente passar para essa greve geral e não para uma greve que tenderá a penalizar sobretudo os estudantes e as suas famílias".

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