Em Portugal está a ocorrer "um retrocesso" na aprendizagem de idiomas estrangeiros. A acusação é da Federação Nacional de Associações de Professores de Línguas Vivas (FNAPLV) e é dirigida ao Ministério da Educação e Ciência (MEC) que, segundo a federação, se guiou por "princípios economicistas" ao fazer as alterações que "ameaçam a qualidade e a diversidade da oferta curricular".
Hoje comemora-se o Dia Europeu das Línguas.
Num manifesto divulgado terça-feira, a FNAPLV - de que fazem parte as associações de professores de Alemão, Espanhol, Francês e Inglês - considera "particularmente gravosos" os efeitos do decreto-lei e das portarias que regulamentam a revisão curricular. De entre aqueles, destacam o pressuposto de que nem todas as disciplinas são estruturantes - "contrariando uma noção de cultura integral que equipara a importância do conhecimento linguístico à de qualquer outro"; a oferta exclusiva do Inglês no 1.º e 2.º ciclos - que "implicitamente promove uma percepção hierarquizada" dos vários idiomas "no que toca à sua relevância social e cultural"; e a redução significativa da carga horária destinada às línguas estrangeiras.
São assinalados ainda os despachos relativos à constituição de turmas e à organização do ano escolar, pelas dificuldades criadas à constituição de disciplinas de opção. Estas resultaram principalmente do facto de a aprovação da turma ter passado a depender de um maior número de alunos inscritos à disciplina - no ensino básico passou de 20 para 26 alunos e no secundário de dez para 20.
"A política linguística e educativa dos países da União Europeia deveria ser construída em conformidade com a promoção dos ideais de igualdade e pluralidade linguística que sustentam" a celebração do Dia Europeu das Línguas. Quando tal não acontece, a data deve servir para contestar o rumo dessa política, conclui a FNAPLV em comunicado.

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