Representantes da comunidade educativa unidos contra Crato

Nuno Crato Miguel Manso

A indignação contra a atitude de Nuno Crato uniu esta segunda-feira representantes de toda a comunidade educativa. Dirigentes dos sindicatos de professores, dos funcionários, das escolas, dos inspectores, e representantes das associações de directores e das confederações de associações de pais, mantiveram-se junto ao ministério, mas recusaram-se a subir para falar com o ministro da Educação, que não correspondeu ao pedido de reunião conjunta e marcou audiências sucessivas com os diferentes parceiros.

“De hora a hora a hora um funcionário aparecia para chamar ora os representantes dos directores, ora os dos pais, ora os dos professores – e todos responderam o mesmo, que tinham pedido uma reunião em conjunto e que apenas subiriam se fossem recebidos em conjunto”, relatou Manuel Pereira, dirigente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE). Ao PÚBLICO, escusou-se a classificar a atitude de Nuno Crato, dizendo que “as atitudes ficam com quem as pratica”. Mas lamentou que o ministro “tenha perdido uma oportunidade única de perceber as preocupações que são transversais a toda a comunidade educativa”.

Albino Almeida, dirigente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) disse que “a atitude do ministro foi a negação das suas próprias palavras”. “Não percebo como é que alguém que defende um grande acordo social na Educação desperdiça esta oportunidade”, afirmou. O dirigente da Fenprof, Mário Nogueira, considerou, em declarações à Lusa, que “de um ministério que é da Educação” se exige “mais respeito pelos parceiros”.

Para além destes, também os representantes dos sindicatos dos funcionários, dos inspectores e os dirigentes da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas e da Confederação Nacional Independente das Associações de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) recusaram reunir com o ministro nos termos que este impôs.

O pedido de uma audiência conjunta e a união entre as diferentes organizações foram justificados com a preocupação comum face ao "impacto das medidas relativas à organização e funcionamento das escolas, à dotação dos seus recursos e ao arranque do próximo ano lectivo”. Segundo Mário Nogueira só ontem, ao contactarem entre si, perceberam que não estariam na mesma reunião com o ministro, mas que havia várias, marcadas para horas diferentes.

O PÚBLICO aguarda um comentário do ministério sobre esta situação.

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