Fenprof quer evitar que próximo Governo tenha maioria absoluta

A carta reivindicativa vai ser enviada hoje aos partidos políticos e também ao Presidente da República Fernando Veludo (arquivo)

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) considera importante evitar que o próximo Governo seja maioritário e, para ajudar os docentes a decidir o sentido de voto, apresentou hoje um documento com respostas dos partidos a problemas concretos na Educação.

"Para nós, o mais importante nas próximas eleições não é se ganha o partido A ou o partido B: é de facto que não haja maioria absoluta", disse hoje Mário Nogueira, numa conferência de imprensa para apresentar as propostas dos partidos políticos para a Educação, caso sejam governo.

Mário Nogueira lembrou que "se a actual maioria não fosse absoluta, o modelo de avaliação [dos professores] tinha sido suspenso na Assembleia da República", assim como outros diplomas teriam merecido alterações.

O dirigente sindical considerou que "a maioria absoluta neste país significa prepotência, arrogância, ausência de negociação e imposição", pelo que é necessário "um quadro político que obrigue à negociação", no qual os pequenos partidos podem ganhar importância porque são precisos para aprovar leis.

Para ajudar os professores a decidir o seu sentido de voto, a Fenprof vai distribuir um documento com as propostas dos principais partidos políticos "a questões muito concretas", como a divisão da carreira, o modelo de gestão, a acção social escolar e os concursos de professores, que, "em alguns aspectos, dá para perceber se os partidos, sendo Governo, vão ou não resolver estes problemas".

"É verdade que o PS, se calhar, não vai resolver, mas nada indica que o PSD tenha intenções de o fazer, porque eu diria mesmo que os portugueses e os professores votaram muito no partido socialista precisamente para se livrarem das políticas do PSD e depois viram frustrada a sua intenção", considerou Nogueira, realçando que "a inteligência de cada um vai permitir que, lendo, possa optar em consciência".

"Temos de pensar é nas políticas e, se aquele que tem as políticas com as quais nos sentimos mais identificados não é aquele em que votámos na última vez, só temos que votar noutro", considerou, realçando que "as pessoas têm de pensar e não ter a memória curta".

O sindicalista afirmou que esta carta de reivindicações vai ser a primeira coisa a ser apresentada pelo sindicato ao próximo governo, que tem como principal desafio "voltar a ganhar os professores", reconhecendo a importância do seu papel na escola e desenvolvendo as medidas concretas que propõe.

"Não é só dizer-lhes que são importantes, mas desenvolver medidas concretas. E depois também umas palavritas de apoio, um miminho de vez em quando sabe bem", disse, realçando que "se há crítica a fazer a este Ministério da Educação é que esteve quatro anos e meio em permanente conflito com os professores".

"Não são palavras de última hora, com elogios a um mês das eleições, que vão fazer esquecer aos professores quatro anos e meio de medidas", concluiu. A carta reivindicativa vai ser enviada hoje aos partidos políticos e também ao Presidente da República. Será distribuída pelos professores e ainda pela população em geral, numa versão resumida.

Comentários

Os comentários a este artigo estão fechados. Saiba porquê.

Nos Blogues