Os alunos que realizaram exames de Língua Portuguesa, no 9.º ano, e de Português, no secundário, revelam dificuldades no uso da língua materna, conclui o relatório sobre os Exames Nacionais de 2011, publicado pelo Gabinete de Avaliação Educacional (Gave), do Ministério da Educação e Ciência.
No que diz respeito ao secundário, a média nacional dos resultados das provas de Português em 2011 foi de 9,6 valores (numa escala de 1 a 20). Analisando os grupos de questões em que os alunos obtiveram piores resultados, o Gave recomenda que é preciso “reforçar a intervenção didáctica” nas áreas da escrita, leitura e funcionamento da língua.
Nas conclusões do relatório, o Gave aponta como “notória” a necessidade de “investir na melhoria do desempenho dos alunos no que se refere ao uso da língua materna, quer na compreensão quer na escrita".
O Gave assinala que as dificuldades se revelam especialmente quando é pedido aos alunos que elaborem “respostas extensas” e que os alunos se confundem com o significado dos “verbos de comando” das questões que lhes são colocadas e não dão respostas adequadas.
“Em todos os itens que exigem resposta estruturada”, destaca o Gave, as capacidades de “organização e correcção linguística” na escrita estão em níveis negativos. Na leitura, ficou claro que os alunos mostraram “grandes dificuldades quando a resolução do item exige mais do que aquilo que está explícito no texto”, o que poderá dever-se à falta de aposta na “discussão e explicitação de leituras pessoais” e encorajamento a “inferências e posicionamento crítico” em relação a textos lidos.
Quanto ao funcionamento da língua, os alunos tiveram dificuldade em relacionar as perguntas colocadas com “conhecimentos prévios” que lhes era exigido que soubessem.
Maus na leitura e na escrita
A Língua Portuguesa a média nacional foi de 51,4%. Na análise dos resultados relativos à primeira chamada consideraram-se as respostas de 85.410 alunos internos do 9.º ano de escolaridade. Numa escala de 1 a 5, a percentagem de classificações iguais ou superiores a nível 3 foi de 57,9%.
Entre os itens com pior desempenho estão aqueles em que se avalia a leitura e a escrita, nomeadamente com uma estrofe de Os Lusíadas e um valor de classificação média em relação à cotação total de 27%.
Os piores resultados (apenas 11,4 % de respostas correctas), verificaram-se no item 4.1 do Grupo II. A explicação do Gave é esta: “O facto de o predicado subordinante conter um verbo no modo condicional exigia o recurso a um padrão de colocação do pronome átono que é uma das áreas reconhecidamente frágeis da língua padrão: a mesóclise”.
Para o Gave, os resultados apurados demonstram que perante uma tarefa de escrita como a apresentada, os alunos tiveram facilidade em cumprir a instrução quanto ao tema e ao tipo de texto. Já no que se refere a aspectos relacionados com a estrutura, a coesão, a morfologia e a sintaxe “houve, tendencialmente, mais dificuldades”.
“Além da fragilidade dos desempenhos no domínio da gramática, são de assinalar os problemas detectados nos itens de construção em que se avaliava a leitura com graus diferentes de inferência”, lê-se no relatório.
Os alunos revelam também deficiências na escrita expositiva, um problema que “parece ter-se acentuado em 2011, com um item que exigia maior autonomia”. Recomenda-se um trabalho mais sistemático de leitura e “particular atenção” à estruturação do texto.

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