Bruxelas lança consulta sobre exploração de novos combustíveis fósseis

Comissão Europeia quer saber o que pensam os cidadãos sobre os novos recursos energéticos – como o gás de xisto – que estão a causar temor e entusiasmo.

Protesto no Parlamento Europeu: muitos temem os riscos da técnica de fracking Vincent Kessler/Reuters

A Europa deve ou não explorar os combustíveis fósseis não-convencionais, como o gás de xisto, que está a revolucionar o cenário energético nos Estados Unidos?

Esta é a primeira pergunta de uma consulta que a Comissão Europeia lançou nesta quinta-feira, de modo a ouvir a opinião dos cidadãos sobre as novas fontes de energia que estão a causar entusiasmo e polémica.

O gás de xisto é extraído através de uma técnica – conhecida pelo termo inglês fracking – que implica a injecção de água e produtos químicos sob alta pressão no subsolo, para fracturar as rochas onde o combustível está aprisionado.

A técnica tem sido contestada, devido aos seus potenciais impactos na qualidade da água subterrânea, na actividade sísmica e na libertação de gases que agravam o aquecimento global. Mas já é utilizada em larga escala nos Estados Unidos, onde o gás de xisto está a transformar o cenário energético, com repercussões mundiais.

Vários países na Europa estão interessados na exploração do gás de xisto, como a Polónia, Alemanha, Holanda, Reino Unido, Espanha, Roménia, Lituânia, Dinamarca, Suécia e Hungria. O Reino Unido reautorizou recentemente actividades de exploração que tinham sido suspensas em 2011, desde que a técnica provocou dois pequenos sismos no Lancashire.

Em 2011, a Comissão Europeia concluiu que a legislação comunitária se aplica às técnicas para a exploração de gás não-convencional, mas que é necessário avaliar se é adequada para lidar com os potenciais risco da actividade.

Num comunicado, a Comissão refere que, com a consulta pública agora lançada, pretende garantir “que os potenciais benefícios económicos e as vantagens em termos de segurança energética de tais desenvolvimentos possam ser aproveitados de forma segura, que não comprometa a saúde humana ou o ambiente”.

Qualquer cidadão pode participar da consulta, que se estende até 20 de Março de 2013.
 

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