Trabalhadores da Moviflor fazem greve e exigem pagamento de salários

Paralisação agendada para domingo. Plano especial de revitalização da empresa de mobiliário prevê despedimento de 325 pessoas.

Moviflor tem dívidas de mais de 147 milhões de euros Laura Haanpaa/Arquivo

Os trabalhadores da Moviflor vão estar em greve no próximo domingo, 8 de Dezembro, para exigir o pagamento dos salários e subsídios em dívida e protestar contra o despedimento de 325 pessoas, previsto no plano especial de revitalização (PER).

A empresa de mobiliário tem mais de 1400 credores e as dívidas ascendem a 147 milhões de euros, com o fisco e a Segurança Social a encabeçarem a lista. Recorreu ao PER em Maio para recuperar financeiramente e tentar manter os 950 postos de trabalho em Portugal. Contudo, a solução prevista no documento, aprovado com 80% dos votos, passa pela dispensa de mais de três centenas de trabalhadores e o encerramento e substituição de várias lojas.

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços de Portugal enviou o pré-aviso de greve aos Ministérios da Economia e da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, onde detalha os motivos da paralisação: “Exigir a viabilidade da empresa, exigir a manutenção de todos os postos de trabalho e exigir o pagamento dos salários e subsídios que estão em dívida”.

De acordo com a empresa, o pagamento dos salários em atraso tem um período de carência de seis meses após a homologação do PER. Os trabalhadores começam, nessa altura, a receber os montantes de dívida “em seis prestações iguais e sucessivas”. “Será feito um reforço da estrutura financeira com capitais próprios, amortização do passivo, financiando meios libertos negativos” entre 2013 e 2015, lê-se num comunicado enviado pela Moviflor quando foram conhecidos os detalhes do PER.

Para eliminar “défices de exploração crónica”, serão encerradas ou substituídas lojas, mas o número não foi divulgado pela empresa, fundada há 42 anos, em Lisboa. Os entrepostos logísticos também vão sofrer cortes. Certo é que, na última semana de Novembro, a Moviflor encerrou a loja de Santarém, instalada num retail park, e despediu 14 trabalhadores (seis tinham já o contrato suspenso).

O PER, um dos maiores já aprovados em Portugal, não abrange as operações que a empresa portuguesa tem em Angola e Moçambique.
 
 

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