Trabalhadores da fábrica de Évora da Kemet em greve contra despedimento colectivo

A paralisação de quinta e de sexta-feira abrange os dois turnos da fábrica. O sindicato contesta os fundamentos da empresa para justificar a intenção de despedimento colectivo.

Os trabalhadores vão deslocar-se ao Ministério da Economia, na quinta-feira Daniel Rocha

O delegado sindical e dirigente do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI) Hugo Fernandes disse esta quarta-feira que os trabalhadores decidiram, em plenários, avançar para uma greve de dois dias, abrangendo os dois turnos da fábrica.

No primeiro dia de paralisação, na quinta-feira, os trabalhadores vão deslocar-se ao Ministério da Economia, em Lisboa, estando marcado para o segundo dia de greve, na sexta-feira, um protesto junto à fábrica de Évora, adiantou o sindicalista.

A administração da fábrica de Évora da multinacional norte-americana Kemet Electronics informou os sindicatos, no final de Novembro, sobre a sua intenção de avançar com o despedimento colectivo de cerca de metade dos trabalhadores, num total de 154, e deslocalizar parte da produção para o México.

De acordo com o delegado sindical, já arrancou “a fase de informação e negociação” para o despedimento colectivo na fábrica da Kemet Electronics, envolvendo representantes da administração, dos sindicatos e da Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).

“Não concordamos com os fundamentos apresentados pela empresa”, realçou Hugo Fernandes, considerando que o despedimento colectivo surge na sequência de uma “deslocalização da produção para o México” e não por haver “uma quebra de encomendas”.

A deslocalização, segundo o responsável, “não é uma figura legal no artigo 360.º do Código do Trabalho”. O dirigente sindical realçou que a Kemet Electronics tem recebido “alguns milhões de euros nos últimos anos” para a criação de postos de trabalho, mas o que “tem sucedido é precisamente o contrário”.

“Normalmente, quando há apoios, é para a criação de postos de trabalho, mas o que tem acontecido é uma diminuição constante de ano para ano. Estamos com 316 trabalhadores e, em 2007, tínhamos perto de 650”, precisou.

A unidade fabril da cidade alentejana produz condensadores de tântalo para telemóveis e para a indústria automóvel.

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