Teixeira dos Santos defendeu esta quarta-feira que a discussão a ser feita sobre o Estado social deve ter em conta o risco de muito do desemprego actual se poder transformar em desemprego estrutural.
Mesmo havendo retoma económica, disse, é possível que o actual nível de desemprego reduza a capacidade de a economia recuperar empregos, mesmo num cenário em que a economia crescesse a bom ritmo. A taxa de desemprego estrutural estima o universo de pessoas que estão sem trabalho quando uma economia está no seu potencial máximo.
“Acho que corremos aqui o risco de que muito deste desemprego se transforme em desemprego estrutural, que vai subsistir mesmo havendo retoma da actividade económica”, disse o antigo ministro das Finanças, numa intervenção sobre os próximos anos de Portugal e a Europa num colóquio da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas, no Porto.
Uma a análise divulgada em Junho pelo Ministério da Economia (A Evolução Recente do Desemprego) dava conta de que a taxa de desemprego estrutural duplicou em duas décadas, passando de 5,5% para 11,8%.
Para Teixeira dos Santos, a discussão sobre o Estado social que tem vindo a ser falada não pode “de forma alguma ignorar” a possibilidade de haver um agravamento do desemprego estrutural. O aumento do desemprego de longa duração tem vindo a ser “ligeiramente mais intenso do que o aumento geral do desemprego” e pode gerar um “problema social sério”.
A taxa de desemprego subiu no terceiro trimestre para os 15,8%, face aos 15% observados no trimestre anterior, com o número oficial de pessoas fora do mercado de trabalho a ultrapassar os 870 mil, divulgou este mês o Instituto Nacional de Estatística (INE).
A taxa de desemprego entre os jovens continuou a subir e chegou aos 39%, afectando já 175 mil pessoas entre os 15 e os 24 anos.

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