Solvay quer recolocar 90 trabalhadores de unidade encerrada

Despedimentos serão "o último dos recursos", garante o porta-voz da empresa.

Na Solvay de Santa Iria trabalham 250 pessoas Carlos Lopes/Arquivo

O grupo Solvay em Portugal confirmou esta quinta-feira que vai fechar uma unidade da fábrica de Póvoa de Santa Iria, mas garantiu que irá tentar recolocar os 90 trabalhadores e que só irá recorrer a despedimentos em último recurso.

O grupo belga de produtos químicos divulgou esta quinta-feira, em comunicado publicado no site da empresa, a intenção de encerrar uma unidade da fábrica da Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira, até Janeiro de 2014 devido a um plano de reestruturação global, no qual serão dispensados, em três anos, 450 funcionários na Europa.
 

Em declarações à Lusa, o porta-voz da empresa, Mário Branco, disse não poder garantir que não vão haver despedimentos em Portugal, mas salientou que antes de se proceder à dispensa de trabalhadores serão esgotadas todas as possibilidades. “O despedimento será o último dos recursos. Serão esgotadas todas as possibilidades de recolocação e até de alternativa de emprego no exterior”, afirmou.
 

Mário Branco realçou que estão a ser realizadas, esta manhã, sessões de esclarecimento com os trabalhadores. “O grupo anunciou [hoje] de manhã um plano muito amplo de recuperação da sua posição no mercado do carbonato de sódio, de que a Solvay é líder histórico e quer continuar a ser. Este plano responde a diversas dinâmicas de mercado a nível global nos EUA, na Europa e, sobretudo, no sul da Europa onde se verificam as maiores ameaças a esta actividade”, contou o responsável.
 

Mário Branco explicou que estas ameaças resultam de uma diminuição da produção devido à crise financeira e à concorrência na Europa. “Os resultados estão à vista, com a quebra brutal na construção civil, que se reflecte também nos menores consumos de vidro no sector automóvel e na habitação”, disse, salientando que outro factor importante para a decisão foi a concorrência muito agressiva dos produtores de carbonato natural.
 

O porta-voz da Solvay adiantou que existem duas produções de carbonato natural, nos Estados Unidos e na Turquia, que fazem concorrência por conseguirem preços mais baixos. “Isto tudo tem um custo. O carbonato é colocado em barco, chega à bacia do Mediterrâneo com preços imbatíveis, porque a Turquia não está sujeita ao mesmo tipo de regulamentação ambiental e outras directivas europeias que têm sobrecarregado a Europa, e isso tem de se reflectir no preço de custo”, contou.
 

Por isso, adiantou Mário Branco, a empresa decidiu anunciar este plano para obter uma redução de custos na ordem dos 100 milhões de euros por ano. “A decisão de encerrar a produção de carbonato de sódio na nossa fábrica na Póvoa de Santa Iria terá efeitos em finais de Janeiro de 2014 e afectará directamente 90 postos de trabalho”, adiantou.
 

Mário Branco disse que a empresa vai agora dar início ao processo de construção de um plano social, com representantes dos trabalhadores e autoridades nacionais no sentido de minimizar o impacto social. “Vamos tentar recolocar pessoas desta fábrica noutras do grupo. Neste momento já estão detectadas 460 oportunidades dentro das fábricas europeias. Estamos também a reforçar o nosso centro de serviços partilhados em Carnaxide, Oeiras, com a criação, até final do ano, de mais 62 postos de trabalho”, disse, acrescentando que muitos trabalhadores estão perto da idade da reforma.
 

A fábrica da Solvay na Póvoa de Santa Iria emprega 250 pessoas.
 

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