Sindicatos pedem suspensão da privatização da TAP

Trabalhadores pediram reuniões ao Governo mas não foram recebidos. Oposição também contesta venda a Efromovich.

Decisão sobre oferta de Efromovich será tomada a 20 de Dezembro Paulo Ricca

Oito sindicatos da TAP anunciam esta quarta-feira que pretendem que o processo de privatização da companhia de aviação do Estado seja suspenso.

Os representantes dos trabalhadores queixam-se de não terem sido ouvidos pelo Governo, apesar das sucessivas insistências. PS e Bloco de Esquerda (BE) pronunciaram-se na terça-feira contra a venda ao milionário colombiano-brasileiro Germán Efromovich, o único candidato na corrida.

O PÚBLICO apurou, junto de fonte de um dos sindicatos da TAP, que a suspensão do negócio será pedida hoje, depois de serem recebidos no Parlamento, na comissão de Segurança Social e Trabalho. As oito estruturas, que representam por exemplo os pilotos, tripulantes, técnicos de manutenção e pessoal de handling, querem que o Governo coloque um travão na venda porque "todo o processo foi desenvolvido sem que tenha havido um único minuto de reunião entre o Governo e os representantes dos trabalhadores", adiantou a mesma fonte.

Os sindicatos pediram, ao longo do ano, audiências com o Governo e com o Presidente da República, que respondeu que "não era oportuno" analisar o tema. Do actual executivo não houve qualquer reacção. "A terceira e última insistência que fizemos foi a 28 de Setembro", sem sucesso, contou fonte sindical. Desde então, as oito estruturas têm sido recebidas por comissões e grupos parlamentares.

Ontem, o PS e o BE voltaram a contestar a privatização da TAP. Em conferência de imprensa, o líder parlamentar dos socialistas exigiu a suspensão imediata do negócio, alegando falta de transparência. "Em consequência deste processo, a fragilidade negocial do Governo é total e o encaixe previsto com a privatização é irrisório", afirmou Carlos Zorrinho, citado pela Lusa.

Já o BE acusou o executivo de se preparar para vender a companhia "a preço de saldo", defendendo que é "um bem precioso" que deve manter-se na esfera pública. O coordenador do partido, João Semedo, afirmou que "feitas as contas, o Estado arrecadará apenas vinte milhões de euros. Para as pessoas terem noção, 20 milhões de euros é o custo de um pequeno avião da TAP. É esse o mau negócio que o Governo pretende fazer".

Não é certo ainda que a TAP seja vendida a Efromovich, que entregou a oferta final de compra na passada sexta-feira, dia 7. A decisão só será tomada no Conselho de Ministros de dia 20, como o PÚBLICO noticiou. De acordo com o Jornal de Negócios, a proposta ronda 1,5 mil milhões de euros, dos quais apenas 20 milhões vão entrar nos cofres públicos. A grande fatia será usada para abater dívida e recapitalizar a empresa.

Numa entrevista à Lusa, o investidor garantiu que a oferta é "muito agressiva", mas recusou-se a revelar valores. "É uma proposta que levaria muita gente a qualificar-nos de malucos por causa do endividamento da companhia", afirmou.

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