Segundo dia de greve na Galp com 90% de adesão, segundo a Fiequimetal

Foto: Paulo Ricca

O segundo dia de greve dos trabalhadores da Galp Energia, que abrange as refinarias de Sines e Matosinhos, está a ter uma adesão perto dos 90%, a mesma percentagem de ontem, adiantou uma fonte sindical.

“No Porto, a adesão é, à semelhança de segunda-feira, de 90 por cento, e em Sines, onde está a decorrer uma mudança de turno prevemos uma adesão igual”, adiantou à agência Lusa o coordenador da federação intersindical Fiequimetal (Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêuticas, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas), Armando Farias, remetendo para mais tarde números mais exactos sobre a paralisação.

A Fiequimetal disse ontem – o primeiro de três dias de greve, por turnos – que a paralisação foi de 90%, enquanto a administração da Galp Energia disse que o número é “muito inferior”.

O porta-voz da empresa liderada por Manuel Ferreira de Oliveira afirmou à Lusa que não iria “entrar na habitual guerra das percentagens, embora elas sejam muito inferiores aos valores que têm sido referidos” pelos sindicatos, acrescentando que os níveis de adesão “têm sido um pouco acima do histórico recente, o que é normal dada a situação social do país”.

Questionado hoje pela Lusa acerca das declarações do porta-voz da empresa, Armando Farias disse que, “de forma indirecta”, a Galp Energia percebeu que houve uma forte adesão, que tinha sido maior que em anteriores greves.

“Dizem sempre que a adesão é menor, mas depois disseram que é maior do que em anteriores greves e que não entravam em guerra de números. Não esperávamos que a administração viesse dizer que foi essa a adesão, mas o facto é que foi”, referiu, salientando que até, ao momento, não houve qualquer contacto da empresa no sentido de conversar com o sindicato.

Gasolina pode começar a faltar ao fim do dia

No que diz respeito a uma eventual escassez de gasolina nos postos de abastecimento, Armando Farias diz que isso ainda não aconteceu. “É previsível que possa acontecer ao final do dia de hoje ou amanhã [quarta-feira] e vai acontecer certamente, mas ao fim de um dia de greve isso ainda não aconteceu”, disse.

O porta-voz da empresa disse ainda que todos os postos de abastecimento estão a funcionar dentro da normalidade, não estando a ser afectados pela paralisação.

De acordo com a federação sindical, a paralisação tem como objectivo “a defesa dos direitos dos trabalhadores”, numa altura em que “a empresa quer tirar direitos aos trabalhadores, sobretudo aos que estão na contratação colectiva, o que é inaceitável” e resulta da aplicação do novo Código do Trabalho.

A greve pretende também contestar “o aumento da comparticipação do regime do seguro de saúde, com um agravamento significativo das comparticipações a cargo dos trabalhadores”, segundo o sindicato.

Esta paralisação pretende também retomar o protesto contra a actualização salarial de “apenas” 1%, ocorrida no início do ano, quando, no primeiro semestre, a empresa teve um lucro de cerca de 200 milhões de euros.

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