O sector bancário “deve mudar” depois de ter sido “muito arrogante”, reconheceu nesta quarta-feira o responsável pela área de investimentos do banco suíço UBS, acrescentando que devem ser “erradicados” certos elementos “negativos” da sua cultura corporativa.
“Estávamos todos provavelmente muito arrogantes, muito convencidos de que as coisas estavam bem tal como estavam. Penso que o sector deve mudar”, declarou Andrea Orcel diante de uma comissão parlamentar britânica criada no Verão passado, depois do caso de manipulação da taxa de referência Libor, para empréstimos interbancários e produtos financeiros.
“O UBS, como outros grupos, não tem uma cultura uniforme, porque durante os últimos dez anos desenvolveu, contratou, multiplicou grupos e comprou empresas”, disse.
Orcel, no cargo desde Novembro, assegurou que a direcção do UBS está empenhada no restabelecimento da honra e da reputação que o grupo teve no passado.
“Estou convencido que muitos progressos foram feitos, mas estou convencido de que temos muita coisa a fazer”, disse ainda.
O banco suíço foi condenado, no fim de Dezembro, a pagar uma indemnização-recorde de 1,5 mil milhões de dólares às autoridades britânicas e norte-americanas por ter manipulado a taxa de referência Libor, que afectou mais de 300.000 mil milhões de dólares de produtos financeiros.
O escândalo da Libor surgiu no fim de Junho, quando o banco britânico Barclays revelou que teria pago 290 milhões de libras de multa para pôr fim às investigações dos reguladores bancários britânico e norte-americano sobre manipulações da taxa Libor e de sua equivalente europeia, a Euribor.
O Barclays foi o centro do escândalo de manipulação da taxa Libor, mas outros bancos também estão envolvidos no caso, como o UBS, o Citigroup e o HSBC.

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