Os ricos vão ser chamados a contribuir de forma mais expressiva para a redução do défice no Reino Unido. O equilíbrio das contas públicas está a demorar mais tempo do que o previsto pelo Governo, que procura agora medidas adicionais para corrigir o desvio orçamental.
A novidade foi dada pelo ministro britânico das Finanças, George Osborne, numa entrevista à BBC, na qual levantou o véu sobre a tradicional Declaração de Outono, dentro de três dias, no Parlamento, onde fará uma actualização do orçamento. Na próxima quarta-feira, serão anunciados cortes adicionais na despesa e deverão ser revistas as metas do défice.
Os contribuintes com rendimentos mais elevados serão chamados ao esforço de correcção orçamental, disse, mas não através de um aumento dos impostos sobre os imóveis de valor mais elevado. “Os ricos têm de assumir a sua parte e vão assumi-la”, afirmou.
A medida deverá passar pelos pensionistas com rendimentos mais elevados, avança o Sunday Times. Os Liberais Democratas marcaram posição, exigindo que, para contrabalançar cortes nas despesas sociais do Estado, os ricos paguem mais. Uma medida neste sentido, que Osborne agora admitiu, é vista como uma clara cedência à pressão dos lib-dem, parceiros da coligação governamental.
Osborne fará, a 5 de Dezembro, uma actualização das previsões económicas na Câmara dos Comuns. À BBC, recusou abrir mais o jogo, mas deixou uma certeza: haverá cortes nos encargos sociais.
A retoma da economia britânica está a ser mais lenta do que o esperado, reconheceu o ministro das Finanças, ressalvando que o Governo de David Cameron não inverterá o rumo em matéria orçamental. “Estamos a fazer progressos” e voltar para trás seria um “desastre completo”. O executivo tem dois objectivos: reduzir o endividamento público em relação ao Produto Interno Bruto até 2015/2016 e retomar o equilíbrio orçamental. Por isso, justificou, tem de tomar “decisões mais difíceis”.
Ao admitir que “um dos seus principais objectivos” não será cumprido, alargando o prazo para reduzir o défice, o Governo abre a porta para os trabalhistas aproveitarem desde já as más notícias a seu favor, notou numa análise o jornalista de política da BBC Tim Reid. “Falhar uma meta tão importante poderá também prejudicar qualquer perspectiva de os partidos da coligação se saírem bem na próxima eleições gerais”.
Quando, precisamente ao meio dia e meia de quarta-feira, Osborne começar a discursar na Câmara dos Comuns, não terá apenas viradas sobre si as atenções dos trabalhistas, que levarão o discurso preparado. Estará na mira das famílias britânicas, das empresas, dos agentes económicos e dos mercados financeiros, que têm ainda na memória as críticas que se seguiram à apresentação do orçamento, em Março, sublinha o Guardian.
“Há mais de um milhão de empregos no sector privado” e regressar “à dívida e à despesa [do tempo] de Ed Balls [que foi secretário do Tesouro dos trabalhistas] seria um desastre completo”.
Ed Balls, agora o principal opositor de Osborne em matéria de finanças em Westminster, acusou o Governo de ter um plano de crescimento que é “uma confusão” e devolveu a resposta sobre a dívida. “Estamos dentro de um buraco sem crescimento e com o endividamento a aumentar”, criticou à BBC.

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