O primeiro-ministro espanhol afirmou nesta sexta-feira que o país se encontraria numa situação “insustentável” caso o Governo não tivesse introduzido as “medidas dolorosas” que corrigiram o desequilíbrio das contas públicas.
No resumo de 2012, Mariano Rajoy defendeu a acção do Governo, afirmando que, sem o plano de reformas económicas, “o défice público estaria entre os 11% e os 11,5%”. “Quem nos emprestaria dinheiro nessa situação?”, questionou o líder espanhol, diante dos jornalistas, antes de responder à sua própria pergunta: “É melhor não pensar nisso porque não aconteceu.”
Mariano Rajoy admitiu que 2012 foi “mais difícil do que o esperado” e que o próximo ano será ainda um período de grandes dificuldades para o país. “Não há que enganar os espanhóis, temos ainda um ano muito duro pela frente”, afirmou o líder do Governo no Palácio de Moncloa, em Madrid.
No entanto, o primeiro-ministro mantém a palavra do Governo e apontou novamente para meados de 2013 como o momento do ponto de viragem para a economia espanhola, altura em que, defende, começará a dar mostras de melhoria.
Questionado sobre a possibilidade de vir a pedir um resgate internacional como forma de aceder aos fundos do Banco Central Europeu (BCE), Mariano Rajoy repetiu uma vez mais a posição do Governo: não se prevê o pedido de ajuda externa, mas a porta para essa possibilidade também não está fechada.
Para 2013, assegurou o líder do Governo, os objectivos são os de conseguir poupar os quase seis milhões de desempregados aos sacrifícios exigidos ao resto da população e “mudar o rumo da política económica e assentar as bases para um crescimento sustentável da economia”. Neste contexto, Rajoy referiu-se em especial ao desempenho mais positivo do sector exportador e reforçou a promessa de não subir o IVA novamente em 2013.
Segurança Social em debate
O tema dos cortes nos funcionários públicos e pensionistas foi também abordado durante a apresentação desta sexta-feira de Mariano Rajoy. O primeiro-ministro fez questão de se dirigir em especial à função pública, lamentando os sacrifícios que exigiu e a decisão do Governo em não compensar as pensões em 2013 em função do aumento dos preços.
A sustentabilidade do sistema de Segurança Social espanhol está a ser avaliada pelo Governo espanhol, que promete introduzir a discussão em torno da “sustentabilidade das pensões”, afirmou o primeiro-ministro.
As pensões são uma “prioridade-base na despesa pública espanhola”, disse Mariano Rajoy, apontando para dados que indicam que cerca de metade dos trabalhadores se estão a reformar antes dos 65 anos previstos pela lei. Para fazer frente a este problema, o primeiro-ministro assegurou que o Governo está a analisar uma nova lei para as reformas antecipadas.
Banco de Espanha prevê aceleração da queda económica
O Banco de Espanha divulgou também nesta sexta-feira o boletim económico de Dezembro, no qual afirma que a tendência para a quebra económica se agravou no final do ano devido a uma maior quebra no consumo interno.
Contribui para uma quebra mais acentuada no Produto Interno Bruto (PIB) espanhol o facto de uma parte significativa de medidas de consolidação orçamental ter entrado apenas na recta final de 2012. Sobretudo o aumento das taxas de IVA, em Outubro, terá ajudado à queda do consumo interno.
Também o impacto do corte no subsídio de Natal na função pública e da decisão do Governo espanhol em não actualizar as pensões só será visível nos últimos três meses do ano.
Mas não é apenas a contracção na procura que motiva a aceleração da queda da actividade económica até ao final de 2012. O Banco de Espanha identifica ainda um prolongamento da quebra de actividade no sector da construção e uma diminuição das receitas do turismo.

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