Para João Proença, as sugestões do Fundo Monetário Internacional “vão destruir a função pública” e levar a “um pior Estado social”. O secretário-geral da UGT afirmou nesta quarta-feira que as conclusões do relatório do FMI “são absolutamente inaceitáveis”.
“Não é aceitável que se ponha em causa a Constituição, que se destrua a vida das pessoas e que não haja qualquer nível de preocupação com a melhoria do funcionamento da administração pública”, disse o líder da UGT à Lusa.
O FMI sugeriu ao Governo vários caminhos para que este consiga cumprir o objectivo do corte de 4000 milhões de euros nas funções do Estado.
De acordo com o relatório publicado nesta quarta-feira pelo Jornal de Negócios mas datado de Dezembro, o FMI sugere como principais fontes de poupança o corte de 20% dos funcionários públicos e a redução de 7% do salário dos trabalhadores do Estado.
Nas contas do relatório elaborado com a participação da Comissão Europeia, Banco Mundial e também com a ajuda do Governo, as pensões podem ser também alvo de uma redução de 20% e as taxas moderadoras na saúde têm ainda margem de manobra para aumentarem.
Estes “cortes cegos”, realça João Proença, não são uma exigência da troika. “É bom lembrar que estas medidas surgem a pedido do Governo e por proposta do Governo”, afirmou o líder sindical à Lusa.
Também a CGTP já manifestou estar contra as propostas do FMI para os cortes na despesa pública. Na manhã desta quarta-feira, Arménio Carlos afirmou que, a serem cumpridas, as reformas propostas vão condicionar "brutalmente o acesso a serviços essenciais" e levar a mais desemprego.

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