Privatização da EDP e REN sem impacto no passivo da Parpública

O grupo Parpública registou em 2012 um resultado líquido de 505,3 milhões de euros

As privatizações da EDP e da REN, que permitiram ao Estado um encaixe de 3,3 mil milhões de euros em 2012, não tiveram impacto na redução do passivo da Parpública, refere o relatório e contas da empresa estatal.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa estatal que agrupa as participações do Estado em vários sectores de actividade refere que o passivo total se manteve na ordem dos 16 mil milhões de euros relativamente a 2011, isto porque a alienação de activos da carteira da Parpública, "quando realizada no âmbito de operações de reprivatização, não permite a afectação das receitas obtidas à amortização do seu passivo, uma vez que, por imposição legal, esses valores têm que ser colocados à disposição do Estado".

A empresa explica assim que, apesar do significativo encaixe que proporcionaram as vendas da EDP e da REN, não tiveram "idêntica expressão na redução da sua dívida".

Apesar disso, o passivo registou uma "redução significativamente maior do que a do endividamento (cerca de 777 milhões de euros) decorrente do facto de no final de 2011 se encontrar registado no passivo o montante de 600 milhões de euros relativo ao adiantamento por conta da realização do pagamento na operação de reprivatização da EDP", mas que com a concretização da transacção no ano de 2012, e com o pagamento integral do preço, esta responsabilidade da Parpública perante a China Three Gorges "foi, naturalmente, anulada".

Ao nível do financiamento, a Parpública refere que se verificou "uma redução de 1,6 mil milhões de euros determinada essencialmente pelo efeito conjugado do reembolso antecipado de um empréstimo obrigacionista com opção de conversão em acções da EDP", correspondente a 4,44% do capital, "da passagem ao passivo corrente de um empréstimo obrigacionista, do aumento do valor da opção de permuta no empréstimo obrigacionista convertível em acções da Galp e da retoma da apresentação do passivo do Grupo TAP nas respectivas rubricas".

O grupo Parpública registou em 2012 um resultado líquido de 505,3 milhões de euros, acima dos 165,6 milhões de euros do ano anterior, com todos os segmentos de actividade a apresentarem resultados positivos à excepção da gestão e promoção imobiliária.

A gestora das participações públicas refere que, “tendo em conta a imputação dos resultados dos detentores de capital, o resultado líquido consolidado situou-se nos 425 milhões de euros muito acima dos 60,6 milhões do ano anterior”.

Ainda assim, o segmento gestão e promoção e imobiliária reduziu o prejuízo para os 57,7 milhões de euros face aos 65,3 milhões de euros do ano anterior, acrescenta o relatório, que destaca que "o mercado imobiliário teve em 2012 o pior momento das últimas décadas, mergulhado numa crise alimentada pelo continuado agravamento do contexto económico-financeiro do país".

 

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