O presidente da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), Tony Tyler, criticou nesta segunda-feira a “instabilidade” criada com a suspensão da privatização da TAP, cuja venda foi adiada no final de 2012 depois de o Governo ter rejeitado a única oferta vinculativa que recebeu pela companhia de aviação nacional e que partiu do milionário colombo-brasileiro Germán Efromovich.
“Gostaríamos de ver mais certezas para a TAP”, disse ao PÚBLICO, à margem da 69ª Assembleia Geral da IATA na Cidade do Cabo. O responsável acrescentou que “não ajuda nada a instabilidade criada” com a decisão de suspender a privatização, referindo que “era bom que surgisse um bom comprador”.
Questionado sobre a rejeição da proposta feita por Efromovich, que o Governo chumbou por não terem sido prestadas as provas exigidas no caderno de encargos para atestar a capacidade financeira do investidor para avançar com o negócio, o presidente da IATA disse que, na altura, “tinha elevadas esperanças” de que a compra iria concretizar-se. “Parecia-me uma boa ideia porque a oferta criava muitas sinergias”, rematou.
“A situação precisa de ser resolvida”, frisou Tony Tyler. Para o responsável, “há muitas opções” no que diz respeito a um futuro comprador da TAP, mas é importante que “seja um dono comprometido a fazer crescer o negócio” e não tanto um “investidor financeiro”, que não pense o grupo estrategicamente.
Recorde-se que o Governo quer relançar a privatização da TAP ainda este ano. Tal como o PÚBLICO noticiou em Abril, cerca de uma dezena de investidores já manifestaram interesse em olhar para o dossier. Nesta segunda-feira, o Folha de São Paulo noticiou que o Governo brasileiro está a pressionar o empresário David Neeleman, dono da transportadora aérea brasileira Azul e da norte-americana Jetblue, a fazer uma oferta pela TAP.
No entanto, o mesmo jornal escreve que o gestor “não quer fazer o negócio”, apesar de referir que o Banco Nacional do Desenvolvimento do Brasil (BNDES) já estava a negociar uma linha de crédito para viabilizar o negócio.
Antes de avançar com a segunda ronda da privatização, o executivo quer resolver a situação da deficitária unidade de manutenção que o grupo tem no Brasil. A prioridade passa por encontrar um comprador para a subsidiária, retirando-a do perímetro de venda da TAP.
Mas, se o objectivo não for cumprido, o Governo não descarta a possibilidade de fechar a empresa no Brasil, que em 2012 acumulou prejuízos superiores a 50 milhões de euros.
A jornalista viajou a convite da IATA

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