Porto de Lisboa culpa estivadores por quebra de 61% no movimento de contentores

Porto de Lisboa culpa a greve dos estivadores pelos resultados e alerta para a perda de rotas e custos acrescidos para empresas.

Porto de Lisboa afirma que parte das mercadorias podem ser reorientadas para Leixões, mas que a operação traz custos para as empresas Nélson Garrido

O porto de Lisboa registou uma quebra de 61% na movimentação de contentores em comparação com o mesmo mês de 2011, revelou a estrutura portuária nesta quarta-feira. Em comunicado, a empresa afirma que esta redução se deve "exclusivamente aos efeitos da greve dos estivadores".

“A situação no porto de Lisboa tem vindo a agravar-se a cada mês”, lê-se ainda no comunicado, que alerta ainda para um acréscimo de custos na reorientação de parte da mercadoria para exportação e importação pelo porto de Leixões e para a possibilidade de os navios abandonarem as escalas nos portos afectados pelas greves.

O impacto da greve tem-se sentido sobretudo na movimentação de carga contentorizada, segundo o Porto de Lisboa, mas também tem vindo a afectar o transporte de carga granular sólida. Estas duas são as principais mercadorias do porto. No campo da mercadoria  granular líquida, o porto anuncia que não tem havido perturbações de movimentação de carga, uma vez que esta dispensa o recurso a mão-de-obra.

Os estivadores da Frente Comum encontram-se em paralisações parciais desde Agosto em protesto contra a nova lei do trabalho portuário, já aprovada na Assembleia da República, com o voto a favor da maioria parlamentar e do Partido Socialista. Os portos de Lisboa, Setúbal, Aveiro e Figueira da Foz e Caniçal, na Madeira, têm pré-avisos de greve agendados até 31 de Dezembro.

As principais queixas dos trabalhadores portuários concentram-se na alteração do âmbito do trabalho portuário e na abertura a contratos de trabalho de curta duração, que levará, argumentam, à perda de postos de trabalho. Algumas das funções que são actualmente desempenhadas de forma exclusiva pelos estivadores ficam-lhes agora vedadas, como é o caso das operações de transporte de mercadoria por terra.

Governo e operadores já promoveram um acordo tripartido com os sindicatos da Frente Comum para assegurarem por escrito a manutenção de postos de trabalho. Este acordo no entanto, não foi bem recebido pelos estivadores em greve. Isto porque, defendem os trabalhadores, asseguram apenas os postos de trabalho e não as funções de estivador que agora desempenham. No acordo, o Governo remete a discussão laboral para a negociação de contratos colectivos de trabalho entre operadores portuários e estivadores, mas estes últimos queixam-se de as empresas terem o monopólio da discussão.

À data das reuniões na Comissão do Trabalho e Segurança Social, na Assembleia da República, o presidente do principal sindicato da Frente Comum, Vítor Dias, anunciou que iria procurar uma declaração de inconstitucionalidade para a nova lei do trabalho portuário por entender que esta restringe significativamente a liberdade de contratação colectiva. 

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