Pescanova declara falência de filial do Chile

Cercado de críticas, presidente da multinacional perde homem de confiança e enfrenta acção judicial do terceiro maior accionista.

A dívida consolidada da Pescanova ao Grupo CGD rondará a cerca de 120 milhões de euros Adriano Miranda

Entre irregularidades contabilísticas e dificuldades financeiras, a Pescanova anunciou nesta quarta-feira a falência da sua filial Pesca Chile, onde o grupo pesqueiro espanhol entrou há 30 anos, pouco depois de Manuel Fernández de Sousa assumir a liderança da multinacional, agora em processo de protecção contra credores.

No Chile, a Pescanova já estava em negociações para alienar a Acuinova, uma filial de cultivo de salmão. Em causa com a falência da Pesca Chile podem estar 600 postos de trabalho numa empresa que, segundo o jornal Expansión, apresenta uma dívida equivalente a 53,1 milhões de euros a oito instituições financeiras.

A falência da Pesca Chile, empresa controlada em 51% do capital pela Pescanova e com uma frota de nove embarcações, foi formalizada a 2 de Maio, dias antes de o herdeiro e líder do grupo espanhol perder um dos seus homens de confiança.

Manuel Fernández de Sousa está sob fogo de accionistas e credores por causa dos problemas financeiros que vieram a público com as suspeitas de “comportamento de abuso de mercado” por parte da Pescanova e, sobretudo, depois de divulgar que reduzira sua participação no grupo.

Se no final de Abril já perdera da sua equipa de gestão Antonio Basagoiti, agora, foi a vez de Jesús García abandonar o barco. A confiança entre presidente e conselheiro era mútua, mas quebrou-se num momento crítico. Numa carta enviada ao conselho de administração, que a agência Europa Press cita, García diz ter perdido a confiança “no trabalho e na gestão” do herdeiro da Pescanova.

As críticas não se ficam por aqui. O Luxempart, terceiro maior accionista, está a preparar uma acção judicial contra Fernández de Sousa. Este fundo de investimento garante que pedirá uma convocatória de assembleia-geral de accionistas para eleger um novo conselho de administração, que colabore com a Deloitte, o administrador escolhido pelo regulador do mercado de capitais para gerir o processo de renegociação da dívida da Pescanova.

Como o PÚBLICO avançou na segunda-feira, o Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) é o maior credor internacional do grupo pesqueiro, nomeadamente através do Banco Caixa Geral, instituição subsidiária espanhola do banco público. Mas também pelo financiamento concedido à Acuinova, filial de aquicultura da Pescanova em Praia de Mira (distrito de Coimbra), onde o grupo tem a maior unidade de cultivo de pregado do mundo.

No total, só ao Grupo CGD, a dívida consolidada da Pescanova rondará a cerca de 120 milhões de euros, entre crédito concedido em Portugal e em Espanha.

 
 

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