No plenário da Assembleia da República, os partidos de oposição apontaram duras críticas à privatização da TAP e da ANA, que o Governo pretende concluir até ao início do próximo ano. Tal como já tinha dito anteriormente, o Partido Socialista (PS) pediu a suspensão do provesso de venda da transportadora aérea estatal.
Rui Paulo Figueiredo, deputado do PS, acusou o Governo de estar a fazer uma “trapalhada” nestes processos e criticou o facto de estar “a correr com toda a pressa para tentar disfarçar os falhanços” ao nível orçamental. Jorge Lacão acrescentou que o Governo tem em marcha “uma política predadora dos interesses nacionais”.
Já Ana Drago, deputada do Bloco de Esquerda (BE), disse que há “falta de transparência” na venda das duas empresas públicas, acrescentando que estão a ser alienadas “a qualquer preço, mesmo quando os valores do mercado aconselhavam prudência”. A deputada aproveitou ainda para constatar o “silêncio ensurdecedor do CDS” sobre este tema, que se finge de “gato morto”, disse.
Ana Drago acusou mesmo o Governo estar a usar a venda da ANA como “mero expediente artificial”, já que parte do valor que sairá deste negócio servirá para abater ao défice e cumprir com a meta de 5% acordada com a troika para este ano. Uma operação de que “o ministro Vítor Gaspar necessita para maquilhar a própria incompetência e o monumental falhanço no cumprimento das metas do défice”, rematou.
Pelo PCP, o deputado Bruno Dias disse também ser “necessário e urgente” travar estes processos de privatização, que considerou tratarem-se de "política de facto consumado" em que se vendem "anéis, dedos, braços e próteses".
O partido já tinha emitido nesta quarta-feira um comunicado no qual referia que “o Governo realiza esta concessão à ANA na maior obscuridade, pressionado pela necessidade de martelar as contas públicas (…) para disfarçar o desastre a que as suas políticas estão a conduzir o país”.
No debate parlamentar na Assembleia da República, o deputado do PSD Paulo Batista Santos acusou o PS de "fazer de conta que está contra as privatizações" e de estar a fazer um "exercício político que é uma grande cambalhota".
O deputado sublinhou que o PS assinou o memorando de entendimento com a troika, no qual estava prevista a privatização da ANA e da TAP. Paulo Batista Santos disse ainda que o Governo está a conduzir estes processos "com total transparência", com base em dados que são conhecidos e que foram transmitidos ao Tribunal de Contas.
O debate desta quarta-feira aconteceu num dos momentos mais críticos das duas privatizações. O único candidato à TAP, o milionário colombo-brasileiro Germán Efromovich, entregou a oferta final a 7 de Dezembro e aguarda por uma decisão do Governo, que só será tomada dia 20.
Já os cinco investidores na corrida à ANA têm de apresentar as propostas definitivas até sexta-feira e quinta-feira será assinado o contrato de concessão dos aeroportos nacionais. Neste caso, o Governo pretende pronunciar a 27 de Dezembro, o que significa que não fechará a venda antes do início do próximo ano.

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