A OCDE considera que o cumprimento das metas do défice público para 2013 e 2014 deverá exigir novas medidas de consolidação orçamental, o que significa novos cortes de despesa e/ou aumentos de impostos. A novidade consta do relatório divulgado esta terça-feira com as suas perspectivas económicas para os dois próximos anos.
“Para 2013-14, uma vasta revisão de despesas visa cortar a despesa em 4000 milhões de euros. No entanto, é provável que o cumprimento das metas prioritárias do défice de 4,5% e 2,5% do PIB para 2013 e 2014, respectivamente, requeira medidas adicionais de consolidação, devido à fraqueza da economia”, lê-se nas páginas dedicadas a Portugal.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, que reúne os países desenvolvidos, espera assim uma recessão de 1,9% em Portugal no próximo ano, ou seja, o dobro da queda do PIB prevista pelo Governo e pela <i>troika</i>, nas novas previsões económicas agora divulgadas.
Para 2014, espera já uma recuperação do nível de actividade económica, com um crescimento de 0,9% do produto face a 2013. O desemprego deverá continuar a subir até 16,9% no próximo ano, recuando ligeiramente em 2014, para 16,3%.
Quanto às exportações, que têm sido o motor a aguentar a actividade, vão continuar a crescer no próximo ano mas em desaceleração: 3,6%, após crescimentos de 4,2% este ano e de 7,5% em 2011. Mas para 2014 espera-se já uma aceleração, com um crescimento de 5,8%.
“Projecta-se que uma grande, mas necessária, consolidação orçamental, uma continuada desalavancagem da banca e procura externa fraca deixem a economia em recessão por algum tempo”, lê-se no sumário da previsão dedicada a Portugal do seu Economic Outlook deste Outono.
“A aplicação estrita dos planos de consolidação deve continuar a ser a prioridade. Ao mesmo tempo, o Governo deve deixar funcionar os estabilizadores automáticos se o crescimento se revelar menor do que o esperado nos plano para evitar que uma recessão pior”, diz a Organização.
No entanto, a recuperação da economia que a OCDE espera que aconteça em 2014 coexistirá com a continuação da retracção do consumo. O consumo privado deverá recuar 3,5% em 2013 e 0,1% em 2014, após quedas de 4% em 2011 e 5,9% este ano. Para o consumo público, prevê-se uma contracção de 4% no próximo ano e de 1,6% em 2014, após quedas de 3,4% este ano e 3,8% em 2011.
A boa notícia será um aumento de 1,6% do investimento em 2014, mas após um forte um enorme afundanço, reflexo de quedas de 4,1% em 2010, 11,3% em 2011, 14,5% em 2012 e 6,5% em 2014.

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