Privatização

NEI confirma oferta superior a 100 milhões pelo BPN

A privatização do BPN é uma das medidas do memorando da troika Sara Matos/arquivo

O Núcleo Estratégico de Investidores (NEI), que confirmou hoje que ofereceu mais de 100 milhões de euros pelo BPN, fala em “David contra Golias” na privatização do banco e adiantou que pediu uma reunião ao ministro das Finanças.

“A nossa proposta foi sempre superior a 100 milhões de euros”, disse Jaime Santos, numa conferência de imprensa convocada pelo Núcleo Estratégico de Investidores (NEI), que apresentou uma das quatro propostas à privatização do BPN.

No domingo, o Ministério das Finanças comunicou a venda do banco nacionalizado ao BIC por 40 milhões de euros.

Segundo o representante do NEI, a corrida à privatização do BPN foi “David contra Golias”, mas adiantou que confia na actuação do Executivo enquanto “árbitro”.

“Confiamos ao Governo da Nação a vida pública e privada de 15 pessoas singulares e uma pessoa colectiva de interesse público. O árbitro é o fiel da equidade e da ética, mas nem sempre vê os golpes de todos os jogadores”, acrescentou.

Jaime Santos falava numa conferência de imprensa conjunta com José Luís Monteiro Castro Jaime Santos enquanto representantes do Núcleo Estratégico de Investidores (NEI), na primeira aparição pública deste grupo interessado em comprar o BPN.

Os responsáveis afirmaram ainda que a proposta estava pronta a 13 de Julho, “na véspera” de o Governo ter decidido prorrogar o prazo até dia 20.

Questionado sobre se estava a insinuar algum favorecimento, o responsável preferiu o silêncio, acrescentando que “David não pode revelar os seus trunfos”.

Segundo Monteiro Castro, o NEI apresentou à Caixa Geral de Depósitos uma “proposta aliciante” já que, além do valor monetário apresentado, pretendia tornar o BPN um banco direccionado para o crédito para a economia social e para as pequenas empresas.

O NEI queria ainda tornar o BPN um banco “parcialmente mutualista” e estudava a possibilidade de mudar a marca de modo a ganhar “credibilidade”, acrescentou.

“Podemos afirmar que a nossa proposta é a que reúne melhores condições quer para o vendedor quer para os trabalhadores do BPN, quer para projectos que temos para o desenvolvimento da economia social e regional”, afirmou Monteiro Castro, que falou por diversas vezes em cooperação com as “misericórdias”.

De acordo com o comunicado do Ministério das Finanças, divulgado no domingo, a venda do BPN seria negociada com o BIC “em condições de exclusividade”.

Em reacção a este comunicado, o NEI afirmou que já pediu reuniões com a secretária de Estado do Tesouro e com o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, de que ainda não obtiveram resposta.

“Reservamo-nos no direito de pedir explicações ao Governo”, disse Monteiro Castro.

Segundo Jaime Santos e Monteiro Castro, o BIC e o NEI foram as únicas das quatro propostas a ser chamadas para uma ronda de negociações com o Governo e Caixa Geral de Depósitos, tendo o “primeiro contacto” com a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, acontecido a 29 de Julho.

Sobre o facto de este grupo de investidores não ter experiência em banca, Jaime Santos afirmou que este “não vai gerir o banco” e que já tinham contactado com administradores de bancos no activo para o fazer, o que explicaram à secretária de Estado.

O NEI disse hoje que acredita que ainda poderá ficar com, pelo menos, parte do BPN, mas foi mesmo mais longe ao adiantar a hipótese, caso falhem as negociações com o BIC, de ficar com o banco.

“Acreditamos na adjudicação exclusiva ao NEI”, disse Monteiro Castro.

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