O presidente do Montepio, António Tomás Correia, admitiu hoje a rescisão por mútuo acordo para os ex-funcionários dos serviços centrais do Finibanco do Porto que não se apresentem em Lisboa conforme o previsto.
Com a integração do Finibanco na sua rede, o Montepio quer transferir para os próprios serviços de Lisboa cerca de 200 funcionários que trabalham no Porto nos serviços do Finibanco, que o banco adquiriu no ano passado através de Oferta Pública de Aquisição.
António Tomás Correia fez hoje saber que, “caso os funcionários não se apresentem em Lisboa, aplicam-se as normas decorrentes do contrato de trabalho”.
Tomás Correia, que falava à margem de uma conferência sobre os “Desafios da Sucessão Empresarial”, admite que uma das soluções poderá passar por rescisões por mútuo acordo, “se os trabalhadores concordarem em rescindir”. “Temos de encontrar uma solução confortável para todos”, disse.
Neste momento, existem cerca de 15 antigos funcionários do Finibanco que devem apresentar-se ao trabalho nos serviços centrais do Montepio, em Lisboa, no próximo dia 17 de Outubro, ocupando “funções operacionais e técnicas”, afirmou fonte oficial da caixa económica à Lusa na segunda-feira.
O Acordo Colectivo de Trabalho do Sector Bancário esclarece que uma instituição “pode transferir o trabalhador para outro local de trabalho dentro da mesma localidade ou para qualquer localidade do concelho onde resida”, mas isso não pode ocorrer para outro concelho “se essa transferência causar prejuízo sério ao trabalhador, salvo se a transferência resultar da mudança total ou parcial do estabelecimento onde aquela presta serviço”.
A mesma fonte do Montepio garantiu na segunda-feira à Lusa que vão ser cumpridas todas as despesas relativas “à deslocação dos colaboradores e respectivos agregados familiares”, resultantes de avaliações específicas das circunstâncias de cada um dos envolvidos.
Por seu lado, no mesmo dia, o Sindicato dos Bancários do Norte acusou o Montepio de estar a tentar um despedimento encapotado e ilegal ao pretender transferir ex-funcionários do Finibanco do Porto para Lisboa.
O responsável pela contratação colectiva e contencioso do Sindicato dos Bancários do Norte, Teixeira Guimarães, disse à Lusa que o Montepio “tem vergonha de dizer que quer fazer um despedimento colectivo” e que, por isso, procura levar a cabo um “despedimento encapotado”.

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