O ministro das Finanças da Alemanha alertou nesta segunda-feira para as “expectativas erradas” relativamente ao BCE, enquanto o ministro da Economia de Espanha pede à instituição que defina as condições para apoiar os juros da dívida dos países com dificuldades nos mercados.
Estas declarações surgem a poucos dias da habitual reunião do início de cada mês do Banco Central Europeu (BCE), muito esperada pois desta vez deverá detalhar as modalidades e condições de intervenção nos mercados para fazer baixar os juros de países que não consigam financiar-se a taxas razoáveis. Isto na sequência do anúncio feito pelo presidente no início de Agosto de que o banco iria estudar tecnicamente como proceder nesses sentido.
Além do alerta destinado a fazer baixar as expectativas sobre o que presidente do BCE, Mario Draghi, irá dizer na quinta-feira, o ministro alemão, Wolfgang Schäuble, repetiu a posição oficial da Alemanha. “As dívidas dos Estados não devem ser financiadas pelo BCE”, disse numa entrevista à rádio Deutschlandfunk, citada pela agência AFP.
O ministro da Economia alemão, Philipp Rösler, disse também, na edição de hoje do diário Rheinische Post, que se opõe à compra de dívida pública para ajudar a melhorar as condições de financiamento dos países em dificuldade: “A compra de obrigações não pode ser uma solução de longo prazo, pois isso traz riscos de inflação”, disse, citado também pela AFP.
As declarações destes dois responsáveis vêm juntar-se às do presidente do Bundesbank (o banco central alemão), que também se manifestou contra as intenções anunciadas por Draghi para a actuação do BCE, o que fez com tenha vindo defender na imprensa a sua política para a instituição.
Guindos diz que o BCE “agirá”
Depois de no domingo o primeiro-ministro de Espanha, Mariano Rajoy, ter vindo a público dizer que o seu país cumpre as condições para receber ajuda, hoje o ministro da Economia, Luis de Guindos, veio instar de novo o BCE a agir sobre os mercados de dívida pública.
O Banco Central Europeu "sabe perfeitamente qual é a problemática do euro e agirá em consequência”, disse Guindos na cadeia privada de rádio Onda Cero.
Em Agosto “o BCE disse que poderia intervir no mercado secundário” para ajudar os países em dificuldades, como Espanha e Itália, lembrou o ministro, pedindo à instituição que defina o mecanismo de apoio e as condições em que comprará obrigações.
Guindos recordou que “o BCE já interveio noutras ocasiões, há cerca de um ano, no mercado secundário, e a crítica fundamental é a de que os governos de então, desde que houve essa compra de dívida, relaxaram os esforços em termos de redução do défice público e de reformas”. E acrescentou que “de alguma maneira, é o que se tenta evitar agora”.
Guindos assumiu que a redução do défice público de Espanha “é a prioridade número um” do Governo, reafirmando a meta da redução para 5,3% do PIB este ano, face a 8,9% no ano passado.

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