O debate tinha como tema a reindustrialização, mas acabou por andar à volta do peso do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. A sucessão de intervenções da oposição carregou na ideia de que o ministro estava de mãos atadas, travado pelas políticas de austeridade.
O debate arrancou logo com a desautorização do ministro pelo líder parlamentar do PS. “As Finanças tomaram de assalto o Ministério da Economia”, denunciou Carlos Zorrinho, que depois perguntou “se o senhor [Álvaro Santos Pereira] é ministro da Economia”, onde estava o banco de fomento ou as linhas de crédito do BEI?
O ataque continuou através do ex-presidente do AICEP, Basílio Horta, que depois de se solidarizar com a difícil “situação” do ministro – “entre um ministro das Finanças que não lhe dá instrumentos e um ministro dos Negócios Estrangeiros que não lhe dá palco internacional”– concluiu que “o senhor ministro não tem Governo para as políticas que quer promover”.
Para o BE, o ministro enfrentava os problemas da economia com “uma colher” quando o que necessitava era de “um balde”. Ana Drago resumiu o trabalho de Santos Pereira à criação de programas com "nomes pomposos" mas com poucos resultados em termos de "política económica".
E como se tal não bastasse, o ministro teve de enfrentar o diagnóstico presidencial que a bloquista lhe lembrou. "Espiral recessiva é o que temos pela frente, resultados é que aparentemente não temos."
O comunista Bruno Dias seguiu por outro caminho, tentando obter respostas do ministro sobre o “concreto”. Citou a venda da EMEF a uma empresa inglesa e as dificuldades no sector automóvel. O também comunista José Lourenço recuperou a venda da CIMPOR à brasileira Camargo Correia, “alienada de forma criminosa”.
Argumentos para concluir que o actual ministro estava a “desindustrializar o país em sectores que são precisamente da sua tutela”. “Os senhores não precisam de criar do zero, basta que não destruam”, resumiu Bruno Dias sobre o programa de reindustrialização.
Álvaro Santos Pereira contra-atacou com as medidas já tomadas. "O Ministério da Economia não só lançou uma reforma do licenciamento industrial zero, como uma reforma laboral, conseguiu um acordo de concertação social ou uma reforma do capital público". Entre outras medidas, Álvaro lembrou ainda o corte nas “rendas das PPP que os senhores [PS] criaram", além do “aumento zero” no custo da energia devido à “coragem do Governo para ir contra os lobbies da energia”
O ministro recordou também os números do sistema dual de aprendizagem como um sinal do empenho do Governo. "Neste ano já temos 31 mil alunos no sistema dual de aprendizagem, no ano passado tínhamos 21 mil. É o maior valor de sempre no sistema dual de aprendizagem."
Medidas que permitiam, segundo Santos Pereira, classificar o seu ministério como o “mais reformista dos últimos 30 anos”.

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