Crise do euro

Líder conservador da Grécia ratifica por escrito compromissos com UE e FMI

Reuters/John Kolesidis

O líder conservador Antonis Samaras comprometeu-se hoje por escrito perante a União Europeia (UE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) a cumprir as medidas acordadas para que a Grécia continue a receber assistência financeira internacional.

O líder da Nova Democracia enviou uma carta de compromisso ao presidente da Comissão Europeia (CE), José Manuel Durão Barroso, do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi, e à directora do FMI, Christine Lagarde.

Os credores internacionais exigiram ao novo primeiro-ministro, o tecnocrata independente Lukas Papademos, e aos líderes dos três partidos que integram o novo executivo de salvação nacional” -- Movimento Socialista Pan-Helénico (PASOK), ND e os ultraconservadores do LAOS -- um compromisso escrito sobre os novos ajustes e que deverão ser aplicados pelo executivo até às eleições legislativas antecipadas, em princípio agendadas para Fevereiro ou Março.

Samaras tinha até ao momento recusado assinar o documento, uma posição também na origem nas prolongadas negociações que se seguiram à queda do governo do PASOK de Georges Papandreou no início de Novembro, e que culminaram no anúncio do novo executivo de coligação que tomou posse em 11 de Novembro.

O líder da ND argumentou na ocasião que a sua palavra era suficiente, e quando previamente tinha centrado a sua oposição ao governo do PASOK na condenação das novas medidas de austeridade.

Na sua carta, o líder conservador refere agora que “o objectivo do novo governo consiste em materializar as decisões assumidas pelo Conselho Europeu de 26 de Outubro e aplicar as políticas económicas relacionadas com essas decisões”.

Os parceiros europeus decidiram na ocasião o perdão de cerca de 50 por cento da dívida grega em mãos privadas e um novo resgate de 130 mil milhões de euros até 2014, em troca do cumprimento de um novo pacote de reformas que incluiu um novo e draconiano plano de austeridade.

Na sua missiva, Samaras assegura que a ND “comprometeu-se em apoiar o novo primeiro-ministro”, que já se afirmou disponível para cumprir a missão sugerida pelos credores.

“A ND está fortemente empenhada no sucesso da consolidação fiscal e nas reformas estruturais, na recuperação da confiança dos mercados internacionais e no impulso ao crescimento económico”, acrescenta o líder conservador.

No entanto, Samaras sublinha a necessidade de “alteração de algumas políticas com o objectivo de garantir o êxito do programa”. O chefe da ND sustenta a necessidade das atuais mudanças “pelo facto de em 2012 a Grécia ser o único país da zona euro em recessão pelo quinto ano consecutivo”, com uma queda do PIB avaliada em 2,8 por cento, devido aos efeitos das medidas de austeridade e que já implicam uma taxa de desemprego a rondar os 20 por cento.

Após esta alteração de posição, Samaras espera agora que a troika internacional (CE, BCE e FMI) disponibilize a sexta tranche de oito mil milhões de euros, incluídos no primeiro plano de resgate de 110 mil milhões de euros, vitais para o pagamento dos salários e pensões de Dezembro dos funcionários do Estado.

Entre as medidas previstas no novo pacote de austeridade -- que anuncia como prioridades o incremento da pressão fiscal e o combate à fraude --, prevê-se a privatização de empresas do Estado (com um encaixe previsto de 50 mil milhões de euros até 2015) e novos despedimentos em massa na função pública, que podem abranger mais 180 mil trabalhadores nos próximos três anos.

As duas principais confederações sindicais gregas do sector público e privado (ADEDY/GSEE) já convocaram uma nova greve geral para 1 de Dezembro, em protesto contra o orçamento de Estado para 2012 que vai incluir as novas medidas de austeridade.



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