Leal Coelho desvaloriza divergências com socialistas

Vice-presidente do PSD participou numa iniciativa da UGT.

Momentos antes do anúncio de uma greve da UGT, a vice-presidente do PSD, Teresa Leal Coelho, ainda tentava lançar pontes para o diálogo com os socialistas, numa iniciativa daquela central sindical.

“Talvez as nossas divergências sejam sobre o tempo e o modo”, disse a vice-presidente do PSD, Teresa Leal Coelho, sublinhando que independentemente das diferenças há objectivos comuns.

A dirigente do PSD falava esta tarde num seminário sobre o problema do emprego nos jovens e nas mulheres, organizado pela UGT, no dia em que foram eleitas as comissões das mulheres e dos jovens desta central sindical.

“Apesar das divergências temos um objectivo comum: É criar condições de sustentabilidade permanentes. Talvez as nossas divergências sejam sobre o tempo e o modo”, disse Leal Coelho, sublinhando que “não há escolhas livres nas condições actuais”.

Logo depois, o outro convidado para o seminário, o secretário-geral adjunto da Juventude Socialista, Diogo Leão, assumiu um modelo de desenvolvimento contrário ao defendido pela dirigente do PSD: o regresso do investimento público, embora sem desvalorizar a iniciativa privada.

Apesar de ser um representante da Juventude Socialista, Diogo Leão mostrou-se contra a “guerra” de gerações. “Retirar direitos adquiridos para abrir espaço no mercado laboral para os mais novos é pernicioso  (...) subtrair aos mais velhos é subtrair aos mais novos ”, disse no auditório da UGT, perante perto de duas dezenas de sindicalistas.

Na resposta, Teresa Leal Coelho elogiou parte do discurso. “Ficou bem dizer que quer manter a solidariedade geracional, mas tem de ser feita em condições de sustentabilidade, senão são os mais novos que são penalizados”. E voltou a estabelecer mínimos de entendimento.

“Há três ou quatro pontos que temos que nos pôr de acordo: a reforma estrutural do Estado, o Simplex 2, que o PS já começou, a reforma da Segurança Social, que o PS já começou, e a desburocratização na justiça”, elencou.

Troika não autoriza
Lembrando a estreita ligação entre emprego e crescimento económico, Diogo Leão constatou: “Esta é a geração mais qualificada de sempre mas não há-de ser a mais feliz em Portugal”. O socialista, que é membro da comissão nacional do partido, criticou o Governo por não ter colocado o desemprego como uma prioridade. E apontou “como uma desilusão” o programa como o Impulso Jovem.

A palavra diálogo haveria de voltar ao auditório pela voz do secretário-geral da UGT momentos antes da conferência de imprensa em que anunciou uma greve para o próximo dia 27. “O diálogo não fica esgotado, tem de haver outro caminho”, afirmou Carlos Silva, dizendo que no dia seguinte à paralisação estará sentado à mesa com o Governo.

Demarcando-se da CGTP, Carlos Silva disse existirem “documentos da troika” que “não autorizam o aumento do salário mínimo nem a publicação das portarias de extensão”. Duas das três questões (a terceira são os cortes na função pública) que estão em cima da mesa da convocação da greve pela UGT. 

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