Jerónimo Martins vai abrir 50 lojas Pingo Doce em franchising

Grupo terá linha de financiamento para empresários e quer abrir 50 novas lojas nos próximos cinco anos.

Pingo Doce vai ter novas lojas em franchising Foto: Ricardo Silva

A expansão em Portugal do Pingo Doce vai ser feita através de um formato semelhante ao franchising e a intenção é abrir cerca de 50 novos supermercados neste regime nos próximos cinco a seis anos. Pedro Soares dos Santos, presidente do conselho de administração da Jerónimo Martins, adiantou que a estratégia será adoptada fora dos grandes certos urbanos, à semelhança do que a empresa quer fazer na Polónia, com os supermercados Biedronka instalados em zonas mais rurais.

O investimento global ronda os 250 milhões de euros (cerca de cinco milhões de euros por cada loja) e será partilhado entre a Jerónimo Martins e os empresários. “Há uma partilha entre as partes. Temos linhas de financiamento garantido e nós somos os credores”, disse Pedro Soares dos Santos, esclarecendo que não há pagamento de royalties (taxas), mas sim uma divisão de lucros do negócio. “Não escravizar o parceiro é a melhor forma de garantir lucro”, sustentou.

Todo o crescimento fora da grande Lisboa, grande Porto e Algarve será feito com parcerias locais. Durante uma conferência de imprensa no Algarve, onde o grupo inaugurou um novo centro de distribuição, Pedro Soares dos Santos disse que já há três projectos destes. As novas lojas serão idênticas aos actuais supermercados. “Há alturas em que é bom que nos liguemos mais às comunidades locais”, afirmou.

Actualmente há 376 lojas Pingo Doce em Portugal e, em 2013, o grupo abriu quatro novas unidades. As vendas da cadeia de supermercados ascenderam a 3181 milhões de euros, uma subida de 3,9% em comparação com 2012. Na Polónia, a Jerónimo Martins tem a sua maior rede de lojas (2393 Biedronka) e espera chegar às três mil em 2015.

O novo centro de distribuição no Algarve contou com um investimento de 27 milhões de euros e criou 220 postos de trabalho directos e indirectos. Vai permitir reduzir os custos de transporte em cerca de 2,5 milhões de euros por ano.

A Jerónimo Martins está a reorganizar as operações logísticas e vai investir entre 100 a 120 milhões de euros nos próximos três anos na construção de três a quatro novos centros (para substituir os actuais 11). O próximo a abrir é na região do grande Porto e envolve um orçamento de 50 milhões de euros. Deverá estar pronto a funcionar no final deste ano.

“Há uma necessidade enorme de nos aproximarmos mais dos pequenos fornecedores”, justificou Pedro Soares dos Santos, acrescentando que o grupo trabalha com 40 produtores locais no Algarve e tem relação com mais de 1600 fornecedores portugueses. Os investimentos da Jerónimo Martins também vão passar, este ano, pelo sector da agricultura. Pedro Soares dos Santos remeteu mais detalhes para breve, mas admitiu que será anunciado “um investimento grande” no sector.

 A poucos dias de entrar em vigor o novo regime que regula as práticas restritivas do comércio, (que vem restringir as promoções), o gestor não tem dúvidas de que vai “limitar muito a capacidade contratual” entre a grande distribuição e os fornecedores. “Se o sector se quiser proteger uma primeira solução à vista é a importação”, disse, acrescentando que a lei abre “brutalmente a porta” à compra de produtos estrangeiros. “Como em tudo, os grandes vão ultrapassar isto”, disse, defendendo que a lei acaba por “penalizar os pequenos”.

Em Algoz, o centro de distribuição ocupa uma gigantesca área de 27 mil metros quadrados, por onde passam, por mês, um milhão de caixas com alimentos frescos e não perecíveis. Abastece as 35 lojas Pingo Doce e Recheio que a Jerónimo Martins tem no Algarve, Sines e algumas localidades do Alentejo. As laranjas da Frusoal, uma organização de produtores de citrinos, chegam aqui diariamente, rumo às prateleiras dos supermercados. Pedro Madeira, director-geral, conta que a grande distribuição é o maior e mais importante cliente da empresa, com 50 produtores locais e mais de 800 hectares. Cerca de 20% do volume é comprado pela Jerónimo Martins que contratualiza desde o teor de açúcar do fruto, à percentagem de sumo. O preço pago pela indústria alimentar chega a ser menos de metade do que é pago pelas cadeias de supermercados, diz Pedro Madeira.

Alexandre Soares dos Santos, que deixou a liderança do conselho de administração em Dezembro, marcou presença na inauguração “a convite da direcção”. Perante uma plateia de convidados (autarcas locais, fornecedores e jornalistas) quis deixar um recado a quem fala da Jerónimo Martins como “uma máquina trituradora que mata os fornecedores, que não paga e não serve para nada”. “Esta empresa trituradora, nos últimos dez anos, investiu 1,5 mil milhões de euros em Portugal e criou dez mil empregos”, frisou. E acrescentou: “Não andamos aqui a matar ninguém”.

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