IVA a 23% será um “tiro no pé” para o Governo, diz novo presidente da Central de Cervejas

Ronald den Elzen aconselha executivo a repensar a medida, afirmando que a longo prazo terá mais dificuldades em obter receitas fiscais deste imposto sobre o consumo.

Consumo de cerveja caiu com a crise Carla Rosado/Arquivo

O holandês Ronald den Elzen chegou a Lisboa em Abril para assumir a liderança da Sociedade Central de Cervejas, depois da saída de Alberto da Ponte para a administração da RTP. E nos últimos meses, além de um “clima económico desafiante” deparou-se com uma dificuldade acrescida: explicar aos accionistas da Heineken, que detém 100% da dona da Sagres, os sucessivos anúncios do Governo de novas medidas de austeridade e a “volatilidade das previsões”.

“O que digo a Amesterdão [sede da Heineken] é que ninguém sabe o que vai acontecer”, disse esta terça-feira, num encontro com jornalistas. “Temos de nos adaptar rapidamente”, acrescentou, antevendo um 2013 “difícil”.

Com o mercado global das cervejas a cair 10% (o mesmo que a contracção nas vendas sentida pela SCC), Ronald den Elzen aponta o dedo ao aumento do IVA para 23% na restauração, que absorve 70% do negócio neste sector. “O estudo da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal é chocante. Se [as previsões se confirmarem] haverá mais desemprego”, menos consumo, e o Estado terá mais dificuldade em recolher receitas deste imposto. O Governo, continua, deve “repensar a medida” que, a “longo termo será um tiro no pé”.

A aposta nas exportações tem sido o escape das cervejeiras nacionais e para a SCC já pesam 30% do volume total de vendas, mais dez pontos percentuais do que em 2011. Só para Angola – que vale 60% dos mercados externos – a subida foi de 40%.

Ronald den Elzen foca a sua estratégia em três vectores: o aumento da inovação, a aposta nas exportações e, finalmente, a sustentabilidade ambiental e financeira.

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