Portugal vai conseguir, pela primeira vez desde 2001, registar um desempenho económico superior à média da zona euro durante este ano e o próximo, prevêem quatro dos mais importantes institutos de investigação económica da Alemanha.
No relatório de Outono sobre a economia europeia publicado em parceria pelos institutos Ifo, Kiel, IWH e RWI, é projectada para 2009 uma contracção da economia portuguesa de 3,2 por cento, um resultado que é, numa conjuntura muito difícil em toda a Europa, acaba por ser melhor do que a média das economias que adoptaram a moeda única. A zona euro irá, segundo as mesmas previsões, recuar 3,9 por cento, com a sua maior potência, a Alemanha, a recuar cinco por cento.
Para 2010, os quatro institutos alemães já apostam numa taxa de crescimento positiva para Portugal, mais uma vez acima da média da zona euro. O PIB português registará um acréscimo de 0,8 por cento, ao passo que deverão crescer em média 0,7 por cento.
Estas previsões parecem ir no sentido inverso ao projectado pelas três maiores agências internacionais de crédito. Em declarações à Lusa, responsáveis da Standard & Poor’s, Moodys e Fitch apontaram para um cenário em que Portugal, devido aos seus problemas estruturais, irá, após o final da crise internacional, recuperar de forma mais lenta do que os seus parceiros.
O relatório dos quatro institutos alemães apresenta ainda outras previsões para Portugal. Depois de uma variação negativa de um por cento nos preços este ano, aponta-se para uma taxa de inflação de 0,6 por cento em 2010, um valor mais uma vez abaixo da média de 0,8 por cento prevista para a zona euro.
E em relação ao mercado de trabalho português, não será o regresso de uma convergência com a média europeia, que conseguirá impedir a deterioração da situação. O relatório prevê que a taxa de desemprego atinja os 10,4 por cento em 2010, um valor ligeiramente abaixo da média europeia.
Espanha como Portugal em 2002?
No seu relatório, os institutos alemães revelam uma preocupação especial com a situação vivida em Espanha. A previsão de contracção de 0,3 por cento para 2010 faz do país vizinho o único na zona euro para o qual é projectada uma variação negativa do PIB no próximo ano. E as expectativas para os anos seguintes são também muito baixas.
Para sustentar esta opinião, o relatório inclui mesmo uma secção especial em que discute a situação espanhola à luz da experiência de crescimento lento vivida por Portugal durante a última década. É traçado um paralelo entre o problema de falta de competitividade, baixo crescimento da produtividade e alto endividamento que Portugal tem vindo a enfrentar, sem que possa recorrer, como no passado, a uma desvalorização da moeda para resolver a situação. Agora, apesar da existência de algumas diferenças, será a vez de a Espanha passar pelos mesmos problemas, dizem os quatro institutos alemães.

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