António Horta-Osório regressa hoje às funções de presidente-executivo do grupo bancário britânico Lloyds após dois meses de ausência por baixa médica, tendo garantido estar recuperado e disposto a abrandar o ritmo de trabalho.
O gestor português atribuiu os problemas de saúde às dificuldades em dormir, sentidas desde Setembro. Em Novembro foi internado numa clínica especializada para receber tratamento.
A 14 de Dezembro, o banco anunciou ter terminado “um processo rigoroso, incluindo conselho médico, para avaliar a capacidade de regressar e liderar eficientemente o grupo”, concluindo que o gestor “fez uma recuperação completa”.
Além de ter sido avaliado por um médico independente, o presidente-executivo do Lloyds teve encontros individuais com os membros do conselho de administração, que aprovaram o regresso. Ficou decidido, de acordo com o banco, que iria “reestruturar e reduzir as suas linhas directas de comunicação para reforçar as responsabilidades da equipa gestora”.
Delegação de competências
Horta-Osório prometeu assim delegar mais competências e dar mais tempo a visitas aos balcões e a reuniões com a administração ou accionistas. Por outro lado, disse também pretender reduzir a intensidade do trabalho e equilibrar melhor a actividade profissional com a vida pessoal, para evitar novos problemas.
O português suspendeu as funções a 2 de Novembro, invocando razões de saúde, apenas oito meses depois de entrar em funções, a 1 de Março de 2011.
Horta-Osório completará 48 anos a 28 de Janeiro e é frequentemente descrito como um profissional meticuloso que se empenhou em dar a volta ao grupo financeiro.
Resultados negativos de 3,9 mil milhões de libras
O banco acumulou resultados negativos de 3,9 mil milhões de libras (4,5 mil milhões de euros) nos primeiros nove meses de 2011, em grande parte devido às provisões feitas para indemnizar clientes a quem foram vendidos seguros indevidamente.
Horta-Osório beneficia de um pacote de remuneração que ascende aos oito milhões de libras (perto de 9,4 milhões de euros), incluindo um salário base anual de um milhão de libras, prémios e contribuições para a pensão.
O Lloyds, considerado o líder do mercado na banca de retalho, é actualmente detido em 41 por cento pelo Estado britânico.

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