O grupo TAP fechou 2012 com um prejuízo de 42,2 milhões de euros, que compara com 76,8 milhões de euros do ano anterior, de acordo com o relatório anual divulgado nesta terça-feira pela Parpública.
O grupo liderado por Fernando Pinto conseguiu recuperar em 2012, reduzindo o prejuízo em cerca de 60%, que, sem o acréscimo de gastos com pessoal, associado ao pagamento do subsídio de férias aos trabalhadores, se teria ficado pelos 30,8 milhões de euros.
A Parpública, no relatório enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), destaca o contributo “fortemente negativo” da TAP – Manutenção e Engenharia Brasil, que gerou um prejuízo de 50,2 milhões de euros, que compara com 62,7 milhões de euros do ano anterior, resultado da execução de um plano para melhorar o desempenho da empresa.
Em Fevereiro, a TAP anunciou os resultados referentes à TAP SA, que inclui o transporte aéreo e a manutenção em Lisboa, que gerou um lucro de 16 milhões de euros, sendo agora conhecidos os resultados do grupo relativos ao ano do processo de privatização, que acabou por ser cancelado pelo Governo em Dezembro.
“Apesar de estar em execução um plano plurianual visando a melhoria do desempenho operacional da TAP-Manutenção e Engenharia Brasil, a verdade é que os negócios no Brasil continuam a ter um contributo fortemente negativo para os resultados do grupo TAP”, refere a empresa gestora das participações públicas.
A melhoria dos resultados do grupo aconteceu nos negócios da TAP SA, ou seja, o transporte aéreo, que representa 80% do total do volume de negócios e a manutenção [em Portugal], que, em conjunto, apresentam um lucro de 21,4 milhões de euros, valor revisto em alta desde Fevereiro.
Ainda ao nível da TAP SA, a Parpública destaca a melhoria do resultado operacional, conseguido sobretudo devido à evolução favorável das vendas e da execução do plano de contenção de custos, apesar do aumento em 13% (cerca de 100 milhões de euros) dos gastos com combustíveis em 2012 face ao ano anterior.
A factura com combustíveis ultrapassou os 811 milhões de euros, sendo o acréscimo explicado pelo aumento do preço do ‘jet fuel’ e à valorização do euro.
No último ano, saíram do quadro de pessoas destes negócios – transporte aéreo e manutenção – 161 trabalhadores, o que representa uma redução de 1,4 por cento.
O endividamento do grupo TAP - incluindo os empréstimos bancários e as responsabilidades por locação financeira - registou em 2012 uma “redução assinalável” de quase 200 milhões de euros, tendo passado de 1.230,9 milhões de euros para 1.034,1 milhões de euros, lê-se no relatório enviado à CMVM.
“Esta redução foi possível na medida em que o serviço da dívida, bem como os investimentos, foram financiados, no essencial, por recursos próprios, o que explica também a redução das disponibilidades de caixa, que caíram 82 milhões de euros”, acrescenta.
Em Dezembro, o Governo decidiu rejeitar a proposta da Synergy, do empresário German Efromovich, para a privatização da empresa, um processo que deverá ser retomado, desconhecendo-se assim o modelo do novo processo de venda.
Ainda nas actividades aeronáuticas, em 2012, teve um contributo positivo de 53 milhões de euros, menos 30% do que no ano anterior, tal como a gestora aeroportuária comunicou ao mercado na semana passada.
“Esta evolução negativa é integralmente explicada pelos efeitos do novo normativo contabilístico a que a ANA ficou sujeita na sequência da assinatura do contrato de concessão com o Estado, dos quais se destaca a necessidade de contabilizar no ano o valor acumulado correspondente às grandes reparações”, explica o relatório da Parpública.
O documento adianta que, excluídos os efeitos da alteração de normativo contabilístico, o resultado líquido do grupo seria de 82,4 milhões de euros, superior portanto ao alcançado em 2011 em cerca de 7,6 por cento.

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