Grupo russo quer estaleiros de Viana outra vez com 1000 trabalhadores

Concorrente à reprivatização afirmou que conta com os actuais trabalhadores e que pode aumentar para 1000 os funcionários da empresa.

Grupo russo integra os estaleiros navais de Viana do Castelo nos seus planos de expansão Paulo Ricca/PÚBLICO

A empresa russa RSI Trading, uma das concorrentes à reprivatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), admitiu nesta segunda-feira que a empresa pode voltar a ter mais de mil trabalhadores.

Os estaleiros já tiveram mais de mil trabalhadores. Penso que esse número pode facilmente vir a ser de novo alcançado no médio prazo”, afirmou Frederico Casal-Ribeiro, o representante da RSI Trading em Portugal. Frederico Casal-Ribeiro sublinhou ainda que a empresa russa “conta” com os actuais 635 trabalhadores dos estaleiros de Viana do Castelo.

"De futuro, obviamente que, aumentando a capacidade produtiva dos estaleiros, será uma consequência natural aumentar a mão-de-obra e os níveis de empregabilidade", disse à agência Lusa.

Caso o grupo russo vença a corrida à reprivatização, os ENVC serão alvo de um plano de modernização de forma a permitir “um aumento da produtividade e competitividade dos estaleiros”, afirmou Frederico Casal-Ribeiro, que reconheceu, por outro lado, “o elevado know-how dos trabalhadores”

A entrada no concurso para a reprivatização dos estaleiros de Viana do Castelo faz parte dos planos de “expansão” da empresa RSI Trading, que integra a Corporação Financeira da Rússia, do magnata Andrei Kissilov.

Os estaleiros de Viana do Castelo serão mais uma calha neste processo de “expansão”. Em menos de cinco anos a empresa River Sea Industrial (RSI) Trading adquiriu três grandes estaleiros russos, em Petrozavodsk, Nizhi-Novgorod e Volgogrado. Nesta última cidade dispõe ainda de uma fábrica de metalomecânica, numa área industrial total de 75 hectares.

"Na nossa estratégia de expansão, os ENVC são uma pedra fundamental. África e América do Sul são mercados prioritários e ter um estaleiro em Portugal faz todo o sentido", afirmou Frederico Casal-Ribeiro, recordando as afinidades culturais, a língua e a posição geográfica como base da opção.

Em caso de vitória no concurso de reprivatização, o grupo russo assume como "prioridade" iniciar "imediatamente" a construção de dois asfalteiros para a Venezuela, a única encomenda activa nos estaleiros de Viana.

Nesta altura, entre os três estaleiros russos da RSI Trading, a carteira de encomendas para 2013 é de "35 a 37 navios", entre contratos fechados e em negociação.

"Admitimos, obviamente, caso a caso e de acordo com as específicas técnicas de cada navio, que alguns desses possam vir a ser alocados a Viana do Castelo", assumiu ainda Casal-Ribeiro.

A isto acrescentou a garantia do grupo russo de "preservar a identidade" dos ENVC, como empresa que "constrói navios desde o anteprojecto até ao lançamento", rejeitando qualquer cenário de construção apenas de blocos para outros estaleiros.

A RSI garante ainda uma "equipa forte de gestão" dos ENVC e "integralmente portuguesa", inclusivamente com alguns elementos já "sondados no âmbito de uma pré-negociação".

"Da Rússia virá apenas algum apoio técnico, mas talvez apenas na fase inicial", rematou Frederico Casal-Ribeiro.

O grupo russo RSI Trading disputa 95% do capital social dos ENVC directamente com a empresa brasileira Rio Nave. O Governo espera encerrar o processo de reprivatização até ao final de 2012. 
 
 

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