Grupo que comprou Oni quer "participar activamente" na consolidação do sector

Os dois accionistas da Oni, a Gestmin e a Riverside, venderam nos últimos dias à Altice as posições de 34,6% e 65,4% que detinham.

Eduardo Martins

O representante da Altice em Portugal, grupo que comprou a Cabovisão em 2012 e acaba de adquirir a Oni, sublinhou nesta segunda-feira que o grupo de telecomunicações vai continuar "atento" e pretende "participar activamente" na consolidação do sector no país.

Em comunicado enviado à agência Lusa, João Zúquete da Silva frisa que "é intenção do grupo desenvolver e consolidar o seu negócio em Portugal, continuando atento, com intenção em participar activamente na consolidação do mercado português das telecomunicações".

O responsável da Altice e director-geral da Cabovisão salientou ainda que o fundo francês pretende que a Oni, especializada em Redes de Nova Geração e liderada por Pedro Morais Leitão, "prossiga de forma estável" os seus negócios, "nomeadamente nas relações com os seus clientes".

"O grupo Altice conta com clientes empresariais em elevado número nos diversos negócios que gere, o que lhe confere uma experiência e know how importantes na gestão deste tipo de negócio, tendo em conta a satisfação das necessidades e aspirações dos clientes", refere João Zúquete da Silva, no âmbito da operação de compra da Oni.

Entre eles, exemplifica, estão a EDF (utilities francesa de eletricidade), diversos ministérios ou câmaras municipais (como Paris ou Vélizy).

A Altice é um grupo especializado em telecomunicações e um investidor estratégico e de longo prazo, que gere em termos consolidados mais de seis milhões de clientes, com uma facturação consolidada de cerca de quatro mil milhões de euros.

O grupo "adquire e desenvolve empresas" no mercado das telecomunicações "e cria valor através da excelência operacional", lê-se no comunicado enviado à Lusa.

Como exemplo, a Altice participou na consolidação do mercado francês de telecomunicações, "onde tem hoje uma forte presença com a Numericable para o B2C e a Completel para o B2B, onde oferece uma vasta gama de serviços para empresas aos seus mais de 13.000 clientes".

Com "uma presença importante no mercado belga e luxemburguês", com a mesma marca Numericable, o grupo expandiu a sua actividade para a Suiça, Caraíbas e restantes territórios DOM TOM, tendo ainda adquirido um operador em Israel.

Além disso, tem ainda negócios no Quénia e Tanzânia e recentemente criou o pólo português com a aquisição da Cabovisão em Março de 2012 à qual se junta agora a Oni.

Os dois accionistas da Oni, a Gestmin SGPS, Holding familiar de Manuel Champalimaud, e a Riverside venderam nos últimos dias à Altice as posições de 34,6% e 65,4% que detinham respectivamente naquela operadora de telecomunicações, segundo um comunicado enviado à agência Lusa pela administração da Gestmin.

A decisão tomada pela Gestmin, sublinha o documento, "toma como referência, quer o movimento de consolidação do sector de telecomunicações, quer a sua opção estratégica de concentração do investimento nos sectores de energia e portuário, a par da diversificação para outros mercados".

Na sexta-feira, a agência Lusa já tinha avançado que havia um princípio de acordo entre a Altice e os accionistas da Oni para a compra desta operadora por um valor que rondaria os 82 milhões de euros, montante que poderia eventualmente ser acertado entre os 80 e os 90 milhões de euros, cerca de metade do valor de propostas de aquisição que aquela empresa chegou a receber no passado, segundo avançaram responsáveis do sector.

O processo já se arrastava há vários meses, desde Outubro, depois de o fundo francês Altice, fundado entre outros por Armando Pereira, de ascendência portuguesa, ter esbarrado nas divergências existentes entre os dois maiores accionistas da empresa que detém a Oni - a Winreason -, que por sua vez é detida pela The Riverside Company e a Gestmin SGPS.

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