Grécia anuncia compra própria de dívida a 40% do preço

A Grécia responde às exigências do Eurogrupo e anuncia plano de compra da sua própria dívida pública a 40% do preço.

O ministro das Finanças grego, Yannis Stournaras, apresenta esta segunda-feira o programa de compra de dívida aos parceiros do euro Yorgos Karahalis/Reuters

A horas de nova reunião do Eurogrupo, o Governo grego anunciou esta segunda-feira os moldes do programa de recompra de dívida que foi exigido na semana passada pelos ministros das Finanças do euro.

A Grécia vai chamar os investidores privados com títulos de dívida pública grega a fazerem parte de um leilão voluntário de recompra de dívida com apoio europeu, no qual o país se propõe a comprar até a um máximo de 40,1% do valor total das obrigações.

No mercado existem cerca de 60 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro grego com prazos até 2023 e 2042 detidas por investidores privados. Deste montante, os analistas esperam que cerca de metade se mostre disponível para vender a preço de saldo os títulos de dívida grega, afirma o El País. No entanto, a recompra de dívida pelo Estado não vai ultrapassar os 10 mil milhões de euros, anunciou esta segunda-feira a Autoridade de Gestão da Dívida Pública da Grécia. 

O financiamento para esta operação será assegurado pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FFEF), que vai cobrir os 10 mil milhões de euros da recompra de obrigações gregas com uma emissão própria de dívida a curto-prazo. Desta forma, o Estado grego fica de fora de um pagamento directo aos credores, e passa assim a assumir uma dívida, sem juros, ante o FEEF.

O leilão patrocinado pelo Estado funcionará ao estilo Holandês, como afirma o Financial Times. Os títulos do Tesouro começam a ser leiloados ao mínimo que o Estado grego se propõe a pagar - 32,2% do seu valor total - e vão gradualmente aumentar de valor, até ao limite de 40,1% do valor total de obrigações que o Tesouro grego está disposto a oferecer.

Este programa será alvo de discussão na reunião do Eurogrupo desta segunda-feira, que discutirá também os termos da recapitalização do sector bancário espanhol. Na última terça-feira, o fumo branco do Eurogrupo para a libertação da tranche do empréstimo à Grécia e para o alargamento das metas orçamentais trouxe como condicionante novos mecanismos para assegurar a sustentabilidade da dívida pública grega. Com este programa, a Grécia espera atenuar parte da sua dívida pública para fazer frente à nova meta de 124% do PIB até 2020, decidida na última reunião dos ministros das Finanças do euro.

Na semana passada, os ministros das Finanças da Zona Euro aprovaram uma série de medidas de alargamento das metas de reestruturação orçamental exigidas à Grécia. Para além de uma extensão de 15 anos no reembolso dos empréstimos e de uma atenuação de 0,1 pontos na comissão dos credores internacionais, a reunião da passada terça-feira do Eurogrupo decidiu ainda uma moratória de dez anos para o pagamento dos juros.
 

Merkel abre porta a perdão de dívida

Numa entrevista publicada no domingo pelo diário alemão Bild, Angela Merkel abriu pela primeira vez a porta a novo perdão de dívida grega. No entanto, a chanceler alemã deixa uma condição: a Grécia deve atingir um excedente orçamental para que seja considerado um corte na dívida.

“Se a Grécia um dia conseguir depender novamente da sua própria receita sem ter que pedir emprestado, então teremos que olhar para esta situação”, afirmou Angela Merkel ao Bild, citada pela Bloomberg. Mas esta situação, “se tudo for de acordo com o planeado”,  não deve acontecer antes de 2014 ou 2015, alertou a chanceler alemã. 
 
 

Comentários

Os comentários a este artigo estão fechados. Saiba porquê.

Nos Blogues