Não é um resgate económico, diz Governo de Angola

Empresas cotadas na bolsa de Lisboa mais expostas a Angola seguem com quedas moderadas.

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Regime angolano, liderado por José Eduardo dos Santos, tenta desdramatizar o pedido de ajuda Reuters

O Governo angolano garante que o pedido de ajuda ao FMI não tem os contornos de um plano de resgate económico, como o que se aplicou a Portugal, Grécia e Irlanda, tratando-se apenas de um Programa de Financiamento Ampliado para apoiar a diversificação económica a médio prazo.

A nota de esclarecimento, citada pela Lusa e pelo semanário angolano Mercado, foi divulgada pelo Ministério das Finanças e pretende esclarecer "interpretações difusas veiculadas por órgãos da comunicação social angolana e portuguesa".

O comunicado avança que o pedido do Governo angolano ao FMI, o segundo em sete anos, visa beneficiar do Programa de Financiamento Ampliado (Extended Fund Facility - EFF), apresentado como um instrumento financeiro "direccionado a reformas estruturais voltadas para a diversificação da economia, reforço da balança de pagamentos, com propósito cimeiro de fortalecer os pilares da sustentabilidade" da economia angolana.

O ministério das Finanças enquadra o pedido “num momento em que Angola vem realizando importantes reformas voltadas para a estabilidade macroeconómica e a diversificação da economia”.

Apesar deste esclarecimento, a diminuição de receitas do Estado angolano, gerada pela forte queda dos preços do petróleo, não exclui a possibilidade de uma parte da ajuda do FMI ser canalizada para o pagamento de despesas correntes, como salários dos funcionários públicos e fornecedores.

Depois do encerramento negativo na sessão de ontem, arrastado pela forte queda das empresas com maior exposição a Angola, a bolsa de Lisboa segue esta quinta-feira em alta ligeira, embora ainda com algumas cotadas penalizadas pelas ligações a esta economia.

Depois de cair perto de 6% na sessão de quarta-feira, devido à participação maioritária em banco angolano, o BPI segue a perder 0,5%. Para esta queda também contribuem outros factores, como a falta de acordo entre os maiores accionistas, com posições divergentes em relação a várias decisões estratégicas. A Mota Engil e a Teixeira Duarte, empresas com forte exposição àquele mercado, seguem a perder 1,20% e 0,75% respectivamente.

A Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), um dos sectores mais expostos a Angola, considera que o pedido de ajuda, apesar de demonstrar uma "situação limite", também revela vontade do país de "resolver os seus problemas”.

A par da resolução dos constrangimentos financeiros de curto prazo, cumprindo os compromissos que já estão assumidos com as empresas portuguesas, o pedido de ajuda deverá “permitir o desenvolvimento sustentado da economia angolana", defende Manuel Reis Campos, presidente da CPCI, em declarações à Lusa.

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