Co-fundador da Marsans detido em Espanha por lavagem de dinheiro

Co-fundador da Marsans foi preso em Espanha. O grupo de viagens declarou falência em 2010 e deixou em Portugal 4,8 milhões de euros em dívidas.

Grupo de viagens espanhol encerrou em 2010 e deixou em Portugal dívidas de 4,8 milhões de euros Miriam Lago/PÚBLICO

O ex-presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais e co-fundador do grupo de viagens Marsans, Díaz Ferrán, foi detido esta segunda-feira em Espanha por suspeitas de branqueamento de capitais e ocultação de bens.

Segundo avança o diário espanhol El País, em conjunto com Díaz Ferrán foram detidas mais oito pessoas, entre elas Ángel de Cabo, que comprou em 2009 a Marsans e que é suspeito de agir como testa-de-ferro do fundador Díaz Ferrán.

Em 2010, o grupo de viagens espanhol Marsans fechou subitamente as portas, deixando um rasto de 4,8 milhões de euros em dívidas só em Portugal. Uma vez que o montante de caução da empresa era incapaz de ressarcir todos os clientes, foi então criado um fundo de indemnização de clientes que obrigava operadores a contribuições anuais.

De acordo com o mesmo diário espanhol, a justiça acusou Díaz Ferrán de falência fraudulenta e desvio de capitais. O co-fundador da Marsans é também suspeito de ter desviado para a Suíça 4,9 milhões de euros através de uma sucursal irlandesa do grupo de viagens.

A conta no banco estaria ligada a Ángel de Cabo, que comprou o grupo de viagens em 2009 “a preço de saldo” e que estaria a agir como testa-de-ferro de Díaz Ferrán a troco de uma “significativa soma”, escreve o El País, citando fontes ligadas ao processo.

De 2007 a 2009, Días Ferrán foi presidente da mais alta autoridade empresarial em Espanha, a Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, e terá sido ainda como presidente desta confederação que o empresário terá orquestrado o desvio de capitais para a Suíça.

Actualmente, as contas bancárias do espanhol encontram-se congeladas pelas autoridades espanholas, por não terem liquidez suficiente para saldar os quase 417 milhões de euros que a justiça espanhola exige da falência da Marsans.

O El País indica, porém, que as responsabilidades da falência do grupo de viagens não deverão recair inteiramente sobre Díaz Ferrán, uma vez que o processo da falência da Marsans parece estar a avançar no sentido de uma responsabilização generalizada dos dirigentes do grupo de viagens.
 
 
 

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