A agência de notação financeira Fitch prevê que Portugal receberá “mais um programa FMI/UE antes de regressar aos mercados”.
Numa nota publicada esta quinta-feira, a Fitch diz ter em conta as perspectivas de “fraco crescimento económico” e a “dimensão do ajustamento orçamental”.
“A troca de dívida de Portugal é um passo em direcção ao regresso ao mercado de obrigações, que é positivo”, pode-se ler na nota, na qual ressalva que a agência acredita que “o actual programa do país será prolongado”.
Segundo a agência de notação, “tem de existir uma melhoria significativa no sentimento do mercado” antes de Portugal regressar “completamente” ao mercado de dívida.
A agência contraria, desta forma, a análise optimista feita na quarta-feira por Vítor Gaspar, que considerou que emissão de dívida de ontem representava um regresso do país aos mercados. Portugal adiou por dois anos o pagamento de 3,76 mil milhões de euros.
Na operação de ontem, o Tesouro conseguiu empurrar para Outubro de 2015 - a uma taxa de juro de 5,25% - os 3,76 mil milhões de euros que estavam na linha de Obrigações do Tesouro que vence em Setembro de 2013.
Esta é a primeira Obrigação do Tesouro a vencer sem financiamento integral da troika. Portugal deixa de se ver obrigado a refinanciar em Setembro do próximo ano 9,7 mil milhões de euros, passando a 5,98 mil milhões de euros.
De acordo com a Fitch, Portugal ainda estará longe do nível de acesso ao mercado já alcançado pela Irlanda. Diz a agência que, na altura de vencimento de Setembro de 2013, Portugal estará a dar o segundo de três passos no caminho para ser capaz de aceder aos mercados sem apoios da troika.

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