Numa altura em que o Montepio está na corrida ao BPN, o seu presidente, António Tomás Correia, anuncia que o Finibanco Angola, detido pelo banco mutualista, vai aumentar o capital. O banqueiro garante ainda que o Montepio não vai ter necessidade de recorrer à emissão de dívida até 2015, e acredita que Portugal tem “condições políticas favoráveis” para ultrapassar a crise.
O Finibanco Angola, detido a 60 por cento pelo Montepio na sequência da OPA sobre o Finibanco no ano passado, prepara-se para realizar um aumento de capital de 30 milhões de dólares, revelou António Tomás Correia, presidente do Montepio. A operação elevará o capital social do banco angolano para 50 milhões de dólares (cerca de 34,5 milhões de euros).
“Angola é uma operação bem sucedida e estamos muito confortáveis. Temos agora como objectivo a abertura de mais balcões, sobretudo, nas capitais de distrito do país, bem como a dotação de capital em mais 30 milhões de dólares [quase 21 milhões de euros]”, avançou o banqueiro.
Saudando a recuperação financeira da unidade angolana - a única que ainda mantém o nome da marca Finibanco - que, no primeiro semestre deste ano, já apresentou um resultado líquido de 7 milhões de euros, o presidente do Montepio mostrou-se satisfeito com a futura operação financeira. “Estamos a trabalhar para concretizar [a operação] tão rápido quanto possível”, afirmou Tomás Correia, sublinhando que “o Finibanco desenvolveu a operação de uma forma muito interessante”.
A Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o Finibanco foi anunciada pelo Montepio em Julho de 2010 e fechada em Dezembro, mas o processo de integração só deverá estar totalmente concluído em Outubro deste ano, altura em que termina a integração dos sistemas informáticos das duas entidades. Uma operação que o presidente do banco comprador considera “prolongada”, mas positiva.
“O saldo da integração está a ser muito positivo”, afirmou António Tomás Correia, citado pela agência Lusa, reconhecendo que a diversificação da actividade foi a grande mais-valia que a integração do Finibanco trouxe para o banco mutualista. Anteriormente, o Montepio estava “muito concentrado no negócio imobiliário”, do qual tem, hoje, uma “menor dependência”, sublinhou o banqueiro.
No Verão passado o Montepio ofereceu 1,95 euros por cada acção do Finibanco (avaliadas, na altura, em 1,48 euros), num total de 341,25 milhões de euros. O processo levou ao desaparecimento da marca Finibanco do mercado português em Abril último.
Tomás Correia prevê novidades no sector
Mas a “ambição de crescer no mercado”, propalada por Tomás Correia, não terá terminado com a OPA sobre o Finibanco: o Montepio é uma das quatro entidades que apresentou uma proposta no âmbito do concurso de privatização do Banco Português de Negócios (BPN).
E, para Tomás Correia, as movimentações na banca portuguesa podem não ficar por aí, pois a crise económica pode potenciar novas fusões e aquisições. “Não vejo que não haja espaço para novas operações. Existe espaço para novos movimentos nesse sentido. E a crise pode potenciar esta tendência”, realçou o banqueiro.
Montepio cumprirá exigências da troika
O presidente do Montepio revelou ainda que a entidade está bem capitalizada e que só necessitará de voltar a emitir dívida dentro de quatro anos, assegurando que cumprirá os rácios de capital acordados com a troika com um ano de antecedência.
“O processo de desalavancagem foi iniciado pelo Montepio logo em 2008”, disse o banqueiro. Esta antecipação permitiu que o Montepio opere, actualmente, com “reduzidas necessidades de financiamento”, graças à captação de recursos dos clientes, pelo que o presidente estima que “antes de 2015 não haverão operações de emissão de dívida”.
“Houve uma redução superior a 40 por cento no rácio de transformação dos depósitos em crédito”, assinalou Tomás Correia, sublinhando que, com esta descida, este rácio situa-se agora nos 136 por cento e que o objectivo do banco é alcançar os 120 por cento até 2012.
Assim, defende o presidente, o Montepio cumprirá, já no final deste ano, com as exigências negociadas com a troika a propósito do rácio core tier 1 (que mede a proporção de capitais próprios face aos activos ponderados pelo risco) para 2012, isto é, antecipará num ano o objectivo de ultrapassar os 10 por cento.
Portugal tem “condições políticas favoráveis” para ultrapassar a crise
A maioria parlamentar que suporta o Governo e o compromisso do principal partido da oposição, o PS, às medidas negociadas com a ‘troika’ criam condições políticas favoráveis para Portugal sair da crise, defendeu o presidente do Montepio, Tomás Correia.
“O Governo tem suporte parlamentar, logo, condições favoráveis para executar as medidas estabelecidas com as autoridades internacionais e, como o principal partido da oposição [o PS] é respeitador dos compromissos assinados com a ‘troika’, há uma ampla maioria de suporte ao programa de ajustamento económico”, afirmou o banqueiro.
Tomás Correia desvalorizou ainda o recente corte de rating pela agência Moody’s à República Portuguesa, primeiro, e aos bancos, por tabela, e sublinhou que o banco mutualista não vai rescindir contrato com aquela entidade.
“Estamos a falar de um país com quase 900 anos de história e os portugueses sempre souberam ultrapassar todos os momentos difíceis. Sempre reagimos bem aos desafios”, afiançou.
Ainda assim, Tomás Correia propõe “uma forte revisão do modelo de intervenção das agências de rating”. Há qualquer coisa que não funciona bem e o problema não é tanto dos Estados, é do mercado. É necessária mais regulamentação e isso só pode ser feito pelos poderes políticos”, defendeu o banqueiro.

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