Os ministros das Finanças da zona euro aprovaram esta quinta-feira a entrega imediata de 34,3 mil milhões de euros de empréstimos em atraso à Grécia. Christine Lagarde juntou-se à decisão e anunciou, momentos depois da reunião do Eurogrupo, que recomendaria a aprovação da entrega dos empréstimos à Grécia no próximo encontro do quadro dos directores do Fundo Monetário Internacional (FMI), que acontecerá apenas em Janeiro.
Depois de um processo de reestruturação apressada durante os últimos três meses, que passou por uma aprovação difícil de um Orçamento do Estado para 2013 que reforçou a austeridade no país e por uma renegociação dos termos do resgate financeiro, a Grécia conseguiu, finalmente, esta quinta-feira, a luz verde formal por parte dos credores internacionais para a entrega das tranches em atraso.
Os líderes do Euro e o FMI responderam assim positivamente ao programa de recompra de dívida grega que terminou na terça-feira com a aquisição de cerca de 31,8 mil milhões de euros por cerca de um terço do seu preço original.
Este programa fazia parte das novas exigências que surgiram com a renegociação dos prazos para a redução da dívida pública grega para os 124% do PIB em 2020. A insustentabilidade da dívida pública grega surgiu, aliás, como a principal preocupação dos credores internacionais, principalmente por parte do FMI, que ameaçou suspender o financiamento à Grécia caso a redução de dívida pública não tivesse sido bem-sucedida.
No comunicado desta quinta-feira de Christine Lagarde, citado pela AFP, a directora-geral do FMI afirma que “é bem-vinda a decisão do Eurogrupo de apoiar a recompra de dívida da Grécia e o seu compromisso para apoiar mais reduções de dívida se tal for necessário”. Apesar de ter superado os 30 mil milhões de euros que serviam como objectivo inicial, a recompra de dívida grega custou mais 1200 milhões de euros do que o que era esperado, reduzindo a dívida do país em apenas 9,5% do PIB e não nos 11% inicialmente propostos.
Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, anunciou depois da reunião por teleconferência dos ministros das Finanças do Euro desta quinta-feira que "ainda não havia certezas” sobre a necessidade de medidas adicionais para a redução da dívida grega.
A entrega das prestações do segundo empréstimo internacional à Grécia está congelada desde Junho deste ano, data das eleições legislativas antecipadas. Segundo afirmou esta quinta-feira o comissário dos Assuntos Económicos da Comissão Europeia, Olli Rehn, 34,3 mil milhões de euros serão entregues “nos próximos dias” à Grécia, de forma a “permitir liquidez” aos cofres do Estado grego.
O desembolso das restantes parcelas do empréstimo será feito durante o primeiro trimestre de 2013, acrescentou ainda o comissário europeu, que apontou para que uma primeira parcela será destinada unicamente à recapitalização bancária e a outras despesas urgentes. Depois, o restante dinheiro do resgate será entregue em “três sub-tranches”, essas sim, destinadas ao financiamento geral, mas para o desembolso das quais terá que haver novo acordo entre Governo grego e representantes da troika.

Comentar