EUA queixam-se à OMC dos apoios da China à indústria automóvel

Foto: Brendan Smialowski/ AFP Photo (arquivo)

Com a campanha eleitoral no auge, Barack Obama decidiu lançar um ataque contra alegadas práticas comerciais da China - um tema que lhe tem custado sucessivos ataques de Mitt Romney, o opositor na corrida presidencial. Resultado: uma nova guerra comercial está à vista e a Organização Mundial do Comércio (OMC) já foi chamada a pronunciar-se.

O tiro de partida para este novo conflito foi dado por um alto funcionário da Casa Branca, que revelou ontem que a administração norte-americana iria apresentar uma queixa contra os apoios que o Estado chinês concede à sua indústria automóvel.

O momento escolhido para o anúncio não deixa lugar a dúvidas: foi mesmo no dia em que Barack Obama tinha comícios de campanha marcados para o Ohio, um dos chamados swing states que podem decidir a eleição de 6 de Novembro. No Ohio, a indústria automóvel é um dos principais geradores de riqueza. Somadas as unidades de montagem de veículos às fábricas que produzem componentes, encontra-se 12,6% do total do emprego do estado. Foi neste estado que Obama confirmou, já ao final do dia, a investida contra a China.

Horas antes, sem qualquer referência à intenção da Casa Branca, o Governo de Pequim tinha anunciado que ia apresentar queixa contra a administração norte-americana por ter aprovado uma lei que impõe elevadas taxas de importação a produtos chineses que são subsidiados pelo Estado. Segundo a agência Reuters, estas novas taxas poderão afectar 30 categorias de produtos que incluem pneus, químicos, apetrechos de cozinha, soalhos de madeira, aço e torres eólicas.

A administração norte-americana deverá também queixar-se à OMC pelas taxas que Pequim está a aplicar aos automóveis que são importados dos Estados Unidos e que ascenderão a mais de três mil milhões de dólares, o equivalente a 2,4 mil milhões de euros.

"O Governo chinês espera que os Estados Unidos corrijam a sua política errada, utilizando os mecanismos de resolução de contenciosos da Organização Mundial do Comércio e o regime de consultas entre as partes", declarou o porta-voz do ministro do Comércio, Shen Danyang, citado pela agência Reuters.

Congresso abriu caminho

A iniciativa de Obama enquadra-se na nova legislação que o Congresso norte-americano fez passar em Março, permitindo a imposição de taxas a produtos subsidiados pelos Governos da China e do Vietname e o Presidente democrata assinou o diploma.

As relações comerciais entre os Estados Unidos e a China têm sido marcadas por acusações cruzadas de ilegalidades comerciais, mas o ponto alto no diferendo tem passado pela acusação norte-americana de que o Governo de Pequim mantém a sua moeda artificialmente baixa para favorecer as exportações. No último ano e meio, a administração chinesa abriu um pouco a margem de flutuação do yuan, que conheceu alguma valorização. Mesmo assim, o défice comercial dos Estados unidos com a China é superior a 25 mil milhões de dólares.

Mitt Romney tem recorrido com frequência à acusação de que Barack Obama nada tem feito para pôr Pequim na ordem e ameaçou declarar a China como "manipulador de moeda" no primeiro dia do seu mandato, caso ganhe as eleições.

Em resposta, a candidatura do actual Presidente acusa Mitt Romney de, ao longo da sua carreira empresarial na Bain Capital, ter investido em empresas que acabaram por "mandar" postos de trabalho para o estrangeiro, nomeadamente para a China.

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