Empresas alemãs consideram Portugal pouco atractivo para investir

Descida do IRC é a principal recomendação das empresas inquiridas para potenciar investimento estrangeiro em Portugal.

O sector imobiliário é apontado pela câmara de comércio como interessante para as empresas alemãs Manuel Roberto

Portugal é considerado pelas empresas alemãs um país pouco atractivo ao investimento – pela dimensão do mercado, pela distância em relação à Alemanha e pelo custo do transporte de mercadorias para a principal economia da zona euro.

De acordo com um estudo da consultora Roland Berger para a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, divulgado esta semana, só 8% das 80 entidades inquiridas olham para a economia portuguesa como um bom destino de negócio. No universo da pesquisa incluem-se, além de empresas (algumas delas já presentes em Portugal), associações sectoriais e câmaras do comércio.

Para 38% dos inquiridos na Alemanha, Portugal tem um “nível de atractividade” médio, havendo 31% que classificam como baixo (os restantes 23% disseram não saber ou não responderam).

Uma das razões que, segundo o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, Bernardo Meyrelles, explicam estes resultados é algum desconhecimento exterior “das vantagens e das competências do mercado português”. Porque entre as empresas que já estão no terreno em Portugal, contrapõe, a opinião é diferente – para melhor.

As empresas apontam vantagens, é certo, mas não escondem o desapontamento sobre o ambiente de negócios. Entre os aspectos a melhorar apontam áreas tantas vezes referidas no debate público: dizem que é preciso atender sobretudo à eficiência da administração pública, aos custos da energia, à transparência dos concursos públicos, à política fiscal e à flexibilidade do mercado de trabalho.

Reduzir IRC
Perante uma lista de seis “recomendações ao Governo”, mais de 56,6% dizem ser desejável reduzir a taxa de IRC. “Quando confrontadas com o enquadramento fiscal, foi referido não só o patamar [da colecta] mas também a estabilidade, porque, quando se faz qualquer projecto, tem-se um objectivo do longo prazo e [a instabilidade fiscal] mina qualquer plano já feito”, enfatiza ao PÚBLICO Bernardo Meyrelles, também responsável do Deutsche Bank em Portugal.

O novo pacote de incentivos fiscal anunciado na quinta-feira pelo Governo, prevendo um novo crédito fiscal para as empresas que invistam até cinco milhões de euros, “é um sinal claro no sentido do investimento”, sublinha, ressalvando que uma reforma fiscal não começa desde logo a ter impacto directo na economia.

No caso das empresas alemãs, aumentar a flexibilidade laboral é também recomendado por 41,5% como medida para promover o investimento, e melhorar a eficiência dos tribunais referido por 30,2%.

Já como principais vantagens do mercado português, as empresas reconhecem em primeiro lugar que o país tem boas infra-estruturas, mão-de-obra motivada, qualificada e especializada.

Porém, segundo o relatório, a dimensão do mercado, a localização e os custos de produção levam as empresas alemãs a escolher outros países para direccionar o investimento. Quando em causa está instalar “centros produtivos de bens para exportação”, Portugal perde terreno para “países geograficamente mais próximos da Alemanha”, nomeadamente os países de Leste, enquadra o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã. “Mas se pensarmos em tudo o que seja transatlântico [e em centros de investigação e desenvolvimento, a Alemanha tem em Portugal uma plataforma vantajosa]”, diz.

A investigação e desenvolvimento é uma das quatro áreas-chave onde, segundo Meyrelles, Portugal pode captar investimento alemão, porque o custo é um “terço mais baixo do que na Alemanha” e é mais competitiva do que nos países de Leste. Outros sectores referidos no estudo são a cerâmica, sector de máquinas industriais e o imobiliário.
 
 

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