Empresas vão ter de descontar para dois fundos de indemnizações

Proposta do Governo entregue aos parceiros sociais cria dois fundos de compensação obrigatórios para pagar indemnizações aos trabalhadores.

Proposta de lei foi distribuída ontem aos parceiros sociais pelo ministro da Economia Enric Vives-Rubio

O documento, a que o PÚBLICO teve acesso, prevê a criação de dois fundos distintos: o Fundo de Compensação do Trabalho (FCT) e o Fundo de Garantia da Compensação do Trabalho (FGCT). Os dois mecanismos serão obrigatórios, implicando, no conjunto, que as empresas contribuam todos os meses com 1% da retribuição base e diuturnidades dos trabalhadores.

O maior contributo será dado para o FCT, destinado ao pagamento de metade das indemnizações por despedimento colectivo. Neste caso, as empresas terão de descontar 0,8%. O diploma prevê, no entanto, que possam optar por um regime alternativo, como o recurso a instituições de crédito ou seguradoras.

O contributo terá de ser dado, por transferência bancária, 12 vezes por ano, nas datas previstas para o vencimento da retribuição base e diuturnidades, constituindo uma “contraordenação grave” o incumprimento desta regra. Além da entidade gestora do FCT, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários também terá uma função de supervisão do mecanismo que o executivo quer criar.

Já o FGCT destina-se a garantir o pagamento das indemnizações sempre que a empresa se encontre numa situação de “incapacidade económica”, resultado de um processo de insolvência ou de recuperação financeira, por exemplo. E, neste caso, a contribuição mensal foi fixada em 0,2%. É o trabalhador que requer a activação do fundo, ficando estabelecido um prazo de 30 para obter uma resposta.

As negociações em redor do arranque destes fundos de compensações intensificaram-se esta semana, tendo os parceiros sociais estado reunidos na terça-feira com o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) foi ouvida nesta quarta-feira pelos grupos parlamentares da maioria, assim como a CGTP e a CAP, em representação do sector agrícola.

A questão da redução das indemnizações, muito criticada pela UGT (que ameaçou inclusivamente rasgar o acordo tripartido assinado em Janeiro de 2012), ficou pendente, enquanto a proposta de lei sobre os fundos de compensações não entrar no Parlamento. Tal como o Governo, os partidos da maioria já mostraram, no entanto, alguma abertura para negociar o nível do novo corte nos dias que contam para as indemnizações.

Para já, a proposta de lei entregue pelo Governo no Parlamento no último dia de 2012 prevê uma redução de 20 para 12 dias. Para as empresas, a entrada em vigor a ideia defendida pela CGT de uma entrada em vigor em simultâneo dos dois diplomas cria um problema, face às dificuldades financeiras e de tesouraria que atravessam neste momento.

Na terça-feira, na reunião com o ministro da Economia, o presidente da CCP propôs inclusivamente um adiamento destas reformas para 2015. Outra ideia defendida pelos parceiros sociais é a existência de um período de transição durante o qual as empresas não contribuam para o fundo, sendo substituídas por dinheiros europeus. No entanto, na proposta a que o PÚBLICO teve acesso, essa alternativa não está contemplada.

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