O Movimento Nacional de Empresários da Restauração (MNER) vai manifestar-se na terça-feira com tachos em frente à Assembleia da República, em Lisboa, para exigir a redução do IVA do sector de 23 para 6%.
Criado há cerca de dois meses e meio, este movimento de âmbito nacional que conta com o apoio de várias associações do sector da restauração e de comerciantes pretende chamar a atenção do Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho para o facto de que, se mantiver a actual taxa de IVA, conduzirá ao desemprego 100 mil pessoas e levará à falência 40 mil empresas.
Estes números foram apresentados nesta segunda-feira à tarde numa conferência de imprensa em Lisboa pelo coordenador do movimento, o empresário José Pereira.
“Este movimento surgiu porque era urgente que esta classe acordasse e porque queremos a baixa do IVA para 6%, até por uma questão de equidade no sector - já que os hotéis pagam 6% - e também porque se apenas descesse para 13%, provavelmente não seria suficiente para impedir o encerramento de pelo menos 20% dos restaurantes do país”, sublinhou.
Neste momento. “entre 30 e 35% das empresas de restauração já não estão a pagar impostos ao Estado, porque não conseguem fazer face às despesas de funcionamento, pagar salários e ainda os impostos”, afirmou.
José Pereira considera que este “é um sector vital para a economia do país, para o turismo: uma das três principais razões pelas quais os turistas visitam o país é a gastronomia, que é muito rica”. Além disso, a subsistência do sector da restauração “é uma questão de preservação da nossa cultura: a nossa gastronomia tradicional tende a desaparecer”, frisou.
“A alternativa é tornarmos-nos clandestinos, porque não temos uma lei que nos defenda”, observou, dando um exemplo: “Se um restaurante quiser fazer um bom arroz de cabidela e for buscar uma galinha caseira, criada com farelo e milho, e se a dona da galinha não estiver colectada, a ASAE [Autoridade de Segurança Alimentar e Económica] fecha o restaurante e a pessoa vai presa”.
O protesto, para o qual se deslocarão pelo menos quatro mil pessoas, números da organização, em 80 autocarros vindos de todo o país, inicia-se pelas 16h.

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