Eleições na Grécia são decisivas para “o futuro de Portugal no euro”, diz Teixeira dos Santos

Foto: Daniel Rocha

O ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos afirmou na noite de sexta-feira em Coimbra que “este domingo vai ser um dia decisivo para o futuro de Portugal no euro”, não por causa do futebol, mas das eleições na Grécia.

“Não estou a pensar no Euro, Campeonato Europeu de Futebol” – domingo “também vai ser importante nesse domínio” –, mas “no euro, na moeda que usamos todos os dias”, advertiu o ex-governante durante a conferência que proferiu num hotel de Coimbra.

Dos resultados das eleições na Grécia, “muito poderá depender o evoluir dos acontecimentos e o evoluir da crise que tem afectado a zona euro”, sustentou.

“Este domingo será um dia importante não só para os gregos – e acima de tudo para os gregos –, mas para todos os cidadãos” da união económica e monetária, “muito em especial de Portugal”, salientou Teixeira dos Santos.

Uma “tempestade que possa vir do lado da Grécia terá repercussões imediatas em Portugal”, afirmou o anterior responsável pela pasta das Finanças.

Os mercados “estarão atentos à Grécia e se alguma coisa correr mal” neste país “voltar-se-ão de imediato” para Portugal, que será “um foco de atenção muito importante no evoluir da crise da zona euro”, acrescentou.

Solução comunitária

Durante a sua intervenção, integrada no ciclo de conferências ‘Há luz ao fundo do túnel?’, promovido pelo Clube MBA da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Teixeira dos Santos defendeu que a crise na zona euro só será ultrapassada com uma intervenção ao nível comunitário – a Europa não pode “teimar em deixar os países entregues a si próprios”.

São necessárias, sustentou, “uma política orçamental comum”, designadamente com “decisões vinculativas” e “mutualização da dívida”, “regulação e supervisão comum do sistema financeiro”, políticas de crescimento, através da mobilização de recursos comunitários, e “a clarificação da política estratégica do projecto europeu”.

Mas, advertiu, “se queremos partilhar o risco da nossa dívida, temos de estar preparados para partilhar as decisões”.

No plano nacional, a resposta à crise deve passar, na perspectiva do antigo governante, pelo “ajustamento orçamental”, pela “estabilidade do sistema financeiro”, por uma estratégia de crescimento (envolvendo reformas estruturais) e pela estabilidade política.

“A estabilidade política é um dado fundamental e o caso grego ilustra bem isso”, advogou Teixeira dos Santos, considerando que este aspecto é “um elemento diferenciador e credibilizador” de Portugal.

Sobre a hipótese de a Grécia abandonar a moeda única, o ex-ministro das Finanças acredita que não há na Europa “vontade de fazer saltar os gregos do euro” e “que se chegará a um entendimento” para evitar que isso aconteça.

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