Discreto, trabalhor e membro do Comité Central

A biografia de Arménio Horácio Alves Carlos na página da Assembleia da República não podia ser mais simples. Nome completo, data de nascimento (24 de Junho de 1955), profissão (electricista).

O novo secretário-geral da CGTP representou o Partido Comunista no Parlamento durante três meses em 1993 e tem um percurso, desde sempre, ligado ao sindicalismo. Chega à liderança da maior central sindical do país com o apoio das bases comunistas, reunindo, aqui, mais consenso do que Carvalho da Silva, que deixa a chefia da central sindical depois de 25 anos.

Arménio Carlos tem o curso industrial e foi operário-chefe na Carris, onde entrou em Janeiro de 1974. Membro do PCP desde 1977, deu os primeiros passos na luta sindical no início dos anos 80 como elemento da subcomissão de trabalhadores da empresa de transportes públicos, em Cabo Ruivo. Cinco anos depois, torna-se dirigente do Sindicato dos Transportes Urbanos de Lisboa e, em 1987, da União dos Sindicatos de Lisboa. Chega a coordenador da união em 1996, o mesmo ano em que se senta à mesa do conselho nacional e da comissão executiva da CGTP.

O caminho até à liderança foi conquistado com o tempo e trabalho árduo. Arménio Carlos é membro do Comité Central do PCP desde 1988 e foi mandatário distrital de Lisboa da candidatura de António Abreu às eleições presidenciais. Assumiu as pastas mais importantes na Intersindical há quatro anos, respondendo publicamente pelas áreas do emprego, acção reivindicativa e Comissão Permanente de Concertação Social. Foi, aliás, o rosto da CGTP da última greve geral, aparecendo com cada vez mais frequência na imprensa e televisão, substituindo Carvalho da Silva.

Nas reuniões entre Governo, patrões e sindicatos, a sua postura tem sido discreta, educada e pouco expansiva. Reconhecem-lhe enorme capacidade de trabalho e exemplo disso foram as oito iniciativas e os 41 requerimentos que apresentou nos seus três meses como deputado em 1993.

No currículo do sucessor de Carvalho da Silva está ainda um lugar na direcção da Escola Profissional Bento de Jesus Caraça e a presidência da assembleia geral da Voz do Operário.

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