Segunda-feira será o último dia de 99 dos 263 trabalhadores do grupo Orfama, em Braga, alguns com mais de 40 anos de casa, explicou nesta sexta-feira o coordenador do Sindicato Têxtil do Minho, Francisco Vieira.
À agência Lusa, o sindicalista confirma que os trabalhadores vão receber nesta sexta-feira as cartas para o fundo de desemprego, acompanhadas das respectivas indemnizações. Mas, apesar de a empresa alegar que os despedimentos resultam das perdas no mercado, Francisco Vieira afirma que o que está a mover a Orfama é apenas o desejo de “lucro fácil”.
A empresa invoca a “redução da actividade da empresa” para justificar o processo de despedimento colectivo. Segundo a administração, existe uma “diminuição actual”, que se prevê ser “crescente”, da “procura dos seus bens e serviços”. Fruto, em parte, da “progressiva” degradação do sector têxtil e da crise económica global.
Numa carta enviada aos trabalhadores, a empresa explica que a degradação do mercado deve resultar numa quebra de 1,2 milhões de euros no volume de negócios da empresa, passando dos 8,4 milhões de euros registados em 2011 para os 7,2 milhões em 2012.
“É a lengalenga do costume”, criticou Francisco Vieira, que acusa a empresa de estar a deslocar “grande parte” da sua produção para o Bangladesh. O sindicalista lembrou que, nos últimos tempos, os trabalhadores estavam a fazer mais uma hora por dia e que, no Natal, não puderam gozar os dias de férias que estavam programados, “para a empresa conseguir satisfazer as encomendas”.
“Não tem qualquer fundamento estar a falar do mercado, da crise, seja lá do que for”, disse Francisco Vieira à Lusa. “O que se trata é de procurar o lucro fácil, ao deslocar a produção para onde a mão-de-obra é mais barata”, afirmou ainda.
A Orfama emprega actualmente 263 trabalhadores, número que vai agora baixar substancialmente, com a saída dos 101 abrangidos pelo despedimento colectivo. A empresa não tem salários em atraso e os operários vão receber um mês de salário por cada ano de trabalho.
Abrangidos pelo processo de despedimento colectivo encontram-se ainda mais 20 funcionários da empresa French Fashions, do mesmo grupo. Porém, estes trabalhadores chegaram a acordo com a administração da Orfama no início do processo.

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